ログインCapítulo 207 Manuela Strondda Lindström O galpão ainda cheirava a pólvora quando João Miguel, tia Laura e tio Alex colocaram Astrid na Van. Ela mal conseguia ficar em pé. Os braços tremiam, o rosto pálido demais para alguém tão orgulhosa. Antes de fechar a porta, Laura segurou o queixo dela com cuidado, firme como quem promete que aquilo ainda não acabou. — Hospital. Agora. — ordenou. — Depois a gente resolve o resto. Assenti em silêncio. Capone continuava colado na minha perna, como se tivesse medo de que, se piscasse, tudo desaparecesse de novo. Foi quando percebi que Hugo não estava mais ao meu lado. Ele tinha o sueco preso contra a parede, uma mão no colarinho, a outra fechada em punho. O homem sangrava pelo canto da boca, mas ainda tentava sustentar aquele olhar vazio de soldado que só sabe obedecer. — Que porra aconteceu aqui?! — Hugo rosnou, o rosto a centímetros do dele. — Por que prenderam a Astrid desse jeito? O soco veio seco. Preciso. O corpo do homem bat
Capítulo 206 Manuela Strondda Lindström O silêncio que se seguiu ao “não” de Hugo foi pesado. Era tenso, cheio de coisas não ditas, como uma arma engatilhada entre nós dois.Cruzei os braços devagar, sustentando o olhar dele. — Isso não está decidido ainda. — falei firme. — Anders me chamou. Quer algo de mim. Ignorar isso pode ser um erro. Ainda mais quando tenho certeza que vou capturá-lo. Hugo inclinou levemente o corpo para a frente, apoiando uma das mãos no volante. A outra fechou e abriu devagar, como se estivesse se controlando para não levantar a voz. — Você só vai se for comigo. — disse baixo, definitivo. — Ao meu lado. E mesmo assim… — respirou fundo. — Ainda não gosto da ideia. — Eu não sou frágil. — rebati. — E não sou moeda de troca. Sou a que ataca. — Eu sei. — ele respondeu rápido demais. — É exatamente por isso que não vou te entregar pra ele. Meu peito apertou. Havia raiva ali. Mas havia algo mais perigoso: medo. Não de perder poder. De me perder.
Capítulo 205 Manuela Strondda Lindström O celular vibrou na minha mão como se fosse um aviso do destino me puxando de volta para a realidade. Eu ainda estava sentada no colo dele. Hugo não desviou o olhar de mim. — Seu celular está tocando. Ignorei por dois segundos. Talvez três. O suficiente para sentir o peso do que eu tinha perguntado ainda pairando entre nós. — Não vai responder, Hugo? — provoquei, sabendo que não podia esperar pra atender. O canto da boca dele se moveu. Ao olhar pra minha tela no painel do carro. — É seu irmão. Melhor atender. Bufei baixo. Eu sabia que precisava. Mas eram só alguns segundos. Só um “sim” ou “não”. Só uma resposta curta que eu queria arrancar dele antes do mundo voltar a nos engolir. Mas desci do colo dele com um suspiro contido e atendi. — Vini… — Cadê o Hugo? — a voz dele veio direta, tensa. — Ele realmente apareceu pra te ajudar? Olhei de lado. Hugo estava de perfil, observando a rua pela janela, mas eu sabia que ele e
Capítulo 204 Manuela Strondda Lindström O carro ficou parado numa rua lateral pouco iluminada. O motor desligado transformava tudo em silêncio — um silêncio pesado, vivo, cortado apenas pelo som distante da cidade e pelo rádio chiando baixo no painel. O olhar de Hugo ainda estava em mim. Aquele olhar que não era de médico, nem de chefe, nem do homem frio que comandava cirurgias e impérios com a mesma precisão. Era pessoal. Direto. Quase perigoso. — Então ficaremos aqui? — ele confirmou, a voz baixa, virando mais pra mim. Assenti, cruzando os braços para conter a adrenalina que ainda vibrava na pele. — É. Eles vão ligar. Certeza que vão criar alguma emboscada. Se não for pra mim, vai ser pro Vinícius ou pro papà. Eles vão nos informar. Sempre informam quando acham que têm o controle. Hugo inclinou levemente o corpo na minha direção. A mão subiu devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo, e afastou uma mecha do meu cabelo para trás da orelha. Um gesto simples. Ínti
Capítulo 203 Manuela Strondda Lindström Entrei no carro quase no mesmo instante que Hugo. A porta bateu com um som seco, definitivo, e o mundo lá fora virou ruído. Logo atrás de nós, outros veículos ganharam vida — motores roncando baixo, coordenados, como um corpo único se preparando para o ataque. — Eles ainda são de confiança? — perguntei, sem tirar os olhos da estrada à frente. — Já vi que, na Suécia, a traição é bem comum. Hugo não desviou o olhar do volante. — Esses sim. — respondeu, firme. — Escolhi a dedo. Não deixaria ninguém perto de você se tivesse qualquer dúvida. Assenti. — Certo. A van apareceu mais à frente, dobrando rápido à direita. Hugo acelerou. O velocímetro subiu como se não houvesse amanhã. Os prédios começaram a borrar, luzes viraram riscos alongados. — Segura. — ele avisou, curto. A primeira rajada veio da van. O vidro dianteiro estilhaçou em um ponto, a bala ricocheteando para longe. Instintivamente, abaixei o corpo e puxei a arma, apoiando o braço
Capítulo 202Manuela Strondda LindströmSaí da sala do Vinícius com a cabeça latejando.O corredor parecia mais estreito do que antes, ou talvez fosse só a pressão esmagando meu peito. Que sensação horrível. Sei que estão desconfiando do Hugo, mas agora ele é meu marido. Porque faria algo assim?Puxei o celular do bolso ainda andando pelos corredores do reduto.Disquei o número do Hugo.Chamando.Chamando de novo. Droga! Cadê esse maledetto?O sinal tocou tantas vezes que meu coração começou a bater fora do ritmo. A ligação quase caiu quando, enfim, a voz dele surgiu do outro lado, baixa, cansada, como se estivesse em movimento.— Alô.— Onde você está? — disparei, sem rodeios.Houve uma pausa mínima. Curta demais para ser confortável.— No Brasil. Eu já te disse.Parei no meio do corredor.— No Brasil? — repeti, incrédula. — O que você está fazendo aí, Hugo?— Investigando. — respondeu, firme. — Tem alguns assuntos aqui que eu precisava entender melhor. Consegui uns dias de folga no