MasukAo reconhecer aquela voz, Jéssica sentiu uma vontade imensa de ignorá-la e continuar andando, mas a dura realidade a conteve, pois eles eram os hóspedes de elite e ela, apenas uma funcionária do estabelecimento. Engolindo a aversão, forçou um sorriso educado e se virou para encará-los.Renan e seu grupo haviam acabado de descer de um carro esportivo de luxo. Após jogarem as chaves nas mãos do manobrista com total arrogância, caminharam a passos firmes na direção dela, medindo a moça dos pés à cabeça com olhares invasivos que a deixaram bastante incomodada.— Jéssica, confesso que subestimamos você durante todo esse tempo. — Um dos rapazes provocou, exibindo um sorriso carregado de malícia. — Não é à toa que o Lucas escondeu você a sete chaves. Quem diria que por baixo daquelas roupas havia um corpo desses? Com esse uniforme tão justo... fica difícil para qualquer um resistir.— O Renan não tem uma queda por uniformes? Já viu algum traje social tão bem ajustado assim antes, cara? — Outr
— Todos os clientes estrangeiros já estão instalados nas suítes e ficaram bastante satisfeitos com a recepção. A senhorita Jéssica organizou tudo de forma impecável. No entanto, o senhor Lucas também apareceu no hotel hoje, e ocorreu um incidente desagradável no saguão principal um tempo atrás...A mão de Luiz parou no ar antes de assinar o papel. Ele ergueu os olhos escuros na direção do assistente em um aviso mudo. Entendendo o recado na mesma hora, Breno assumiu uma postura rígida e acenou com a cabeça.— Entendido, senhor.Naquele exato instante, Jéssica bateu na porta e entrou com a bandeja. Breno aproveitou a deixa para recolher suas pastas e sair de fininho do escritório.A garota caminhou a passos curtos e pousou a xícara de café sobre a mesa de mogno com um cuidado exagerado, sentindo-se deslocada e constrangida por ser a primeira vez que atendia um hóspede em um ambiente tão reservado.— O seu café, senhor Luiz.Ela sabia que o ambiente de trabalho exigia postura profissional
Jéssica e Teresa trocaram um olhar cúmplice antes de encarar o rádio comunicador esquecido sobre a mesa, que estava com a bateria totalmente zerada. Isso explicava o silêncio e a falta de confirmação da equipe de segurança sobre a escolta do cliente até os aposentos. Tentando disfarçar o constrangimento, Jéssica ignorou a tosse forçada que ecoou logo atrás dela e fez o possível para contornar a própria gafe com naturalidade.— Sabe como é... tem gente que leva o trabalho a sério demais e odeia qualquer tipo de interrupção. — Justificou ela, a voz saindo um pouco esganiçada.— Com certeza, ele deve ser exaustivo. — Concordou Teresa, com os olhos arregalados de pânico enquanto acenava sem parar com a cabeça para apoiar a amiga.Assim que terminou de falar, Jéssica abriu o seu melhor sorriso de funcionária do mês e se virou. No entanto, o sorriso congelou em seus lábios e uma leve tontura a atingiu quando ela reconheceu a figura parada ali.— Senhor... quer dizer, senhor Luiz, seja muit
Natália Soares, do departamento de vendas. A situação era, no mínimo, curiosa. Aquela mulher não estava ali para defender Jéssica, mas sim para insinuar com todas as letras que a colega não passava de uma amadora incapaz de separar a vida pessoal do ambiente de trabalho. Se esse tipo de comentário fosse feito em off, soaria como uma fofoca qualquer de corredor. No entanto, jogar isso na cara de Lucas tinha um peso muito maior, podendo até mesmo custar o cargo de Jéssica. Pelo visto, havia uma fila de pessoas querendo vê-la no fundo do poço.Ao notar que nenhum dos dois faria qualquer objeção, Natália tomou fôlego e deu continuidade ao seu discurso venenoso.— No caminho para cá, bastou alguém mencionar o ex-namorado para que os olhos da Jéssica se enchessem da água, como se a tivessem xingado de filha de um assassino. Antes, ela adorava se gabar desse namorado misterioso para todo mundo da equipe, então dá para entender o tamanho do sofrimento agora. Só espero, de coração, que esse d
O alerta sobre a chegada do cliente VIP foi o bastante para despertar Jéssica de seu estupor. Ela massageou o braço ainda dormente pela tensão do ataque e correu para o andar de baixo. A tristeza teria que esperar. Agora que Rosana ocupava um cargo de chefia, pisar em ovos era pouco; qualquer deslize seria um tiro no pé.Enquanto abotoava a blusa reserva no vestiário, o celular vibrou. Era Teresa, do setor de governança, que não estava no saguão durante o alvoroço. Mal a ligação foi atendida, a voz esbaforida da colega invadiu a linha.— Amiga do céu! Acabei de ouvir no rádio que um maluco entrou com uma faca para te matar! Estou indo aí te socorrer!— Fica calma, estou inteira. Ninguém se machucou. — Respondeu Jéssica.Nem mesmo o agressor sofreria danos irreparáveis. Afinal, Lucas abafaria a história a qualquer custo. Ele podia ser apenas o vice-presidente, mas o resort estava sob a responsabilidade dele e de Sabrina. Por mais obcecado que fosse por Rosana, jamais colocaria a reputa
A voz do homem ecoava pelo saguão, pesada e sombria, deixando um rastro de inquietação no ar. Era o tipo de som que causava arrepios na espinha só de ouvir. Sem recuar um único passo, Jéssica estreitou os olhos e cravou o olhar nele.— Já que você alega ser uma das vítimas daquela época, exijo que diga o seu nome, em qual projeto da minha família registrado na delegacia você investiu e qual foi o valor exato da transação. — Disparou ela, com um tom de voz gélido e inabalável.O sujeito hesitou, engolindo em seco. A culpa estampada no rosto entregava sua farsa. Dando um passo à frente, ela o encurralou com palavras firmes.— Não me diga que você ignora o fato de a polícia ter passado meses investigando o caso da minha família? Cada detalhe consta nos autos oficiais. Desde investimentos irrisórios até quantias milionárias, tudo leva a assinatura de próprio punho dos verdadeiros lesados. E você, quem é nessa história toda?— Eu... é que eu... — O homem gaguejava, suando frio e incapaz de







