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Capítulo 4

Author: Tiny
Foi Miguel quem se ajoelhou diante do meu pai, jurando que cuidaria de mim por toda a vida.

Só então meu pai concordou em investir.

Suspirei e me virei para ir embora:

— Já que você acha que isso é cobrar favores em troca de gratidão, então vamos cancelar o noivado.

No instante em que a porta se fechou, uma discussão violenta explodiu atrás de mim.

O viaduto da Cidade dos Ventos estava congestionado como sempre.

Olhei para o telão luminoso com a nossa foto de casamento e senti apenas ironia.

Três mensagens surgiram no celular:

[Clara, para de fazer drama. Já mandei lavar o vestido e entregar em casa. Amanhã você vai se casar comigo linda, usando o vestido que eu desenhei.]

[Amanhã vou chamar toda a imprensa para registrar esse momento histórico da união das nossas famílias.]

[Clara, a promessa dos meus dezoito anos, eu cumpri.]

Com calma, retirei o chip do celular e joguei pela janela do carro.

Joguei fora junto todas as lembranças dos meus dezoito anos.

Amanhã eu realmente compareceria, mas não para me casar com ele.

......

No dia do casamento, Miguel ouviu o sinal mecânico da chamada encerrada e apagou o cigarro com irritação.

Não importava o quanto tentasse, o telefone que antes atendia na mesma hora agora não completava a ligação.

— A Clara não atende mais minhas chamadas.

Ele rolou o histórico para cima.

Aquele número familiar mostrava noventa e nove ligações não atendidas.

Todas eram do dia em que ele acompanhou Luana para tirar fotos de casamento.

Naquele dia, Luana havia chorado e implorado.

Disse que estava prestes a ir para o exterior e queria deixar algumas fotos como lembrança.

Vestir o vestido de noiva feito por ele também contaria como ter se casado com ele uma vez.

Olhando para aquele rosto tão parecido com o de Clara, ele teve a sensação de voltar aos dezoito anos, quando prometera solenemente que se casaria com ela.

Mas então, por que a mulher ao seu lado nas fotos nas montanhas nevadas não era Clara?

Luana percebeu rapidamente a mudança de humor dele e, às pressas, enviou um vídeo do local do casamento.

— Presidente Miguel, a Clara já entrou no carro da noiva. Talvez ela só tenha esquecido o celular.

Miguel observou o vídeo.

Eu vestia um branco impecável, com os olhos baixos e um sorriso suave, exibindo uma alegria que ele não via havia muito tempo.

Sem saber por quê, ele relaxou e curvou levemente os lábios:

— Talvez seja isso mesmo.

Independentemente do que tivesse feito antes, a partir de hoje ele certamente compensaria Clara.

O rosto de Luana empalideceu. Ela abriu outro vídeo enviado pelo assistente.

Na imagem, ao meu lado estava um homem de porte frio e elegante, que com delicadeza levantava uma mecha solta do meu cabelo.

Ela rangeu os dentes em silêncio:

— Impossível, devo estar vendo errado. Como a Clara poderia estar com o Bruno...

Na entrada do salão, a imprensa se aglomerava, e as luzes fortes feriam meus olhos.

— Srta. Clara, ouvimos dizer que o vestido que a senhora está usando foi desenhado pelo Presidente Miguel. Que casal apaixonado!

— Em um momento crítico para o Grupo Borges, a família Ferreira investiu cem milhões de dólares. Foi uma decisão pessoal ou puramente estratégica?

— O que a senhora acha desse casamento do século?

......

Afastei os microfones e caminhei direto para o centro do salão.

Miguel se virou ao ouvir o burburinho e, no instante em que me viu, o copo em sua mão caiu no chão com um estrondo.

A voz dele tremia:

— Clara, por que você não está usando o vestido que eu fiz para você? Quem fez esse que você está vestindo agora? Por que eu nunca vi?

Ignorei o olhar desesperado dele e arranquei o microfone das mãos do mestre de cerimônias.

Diante das câmeras, sorri radiante:

— Peço desculpas a todos. Hoje, em nome do Grupo Ferreira, venho esclarecer que o suposto investimento de cem milhões de dólares não passa de um boato sem fundamento!
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