FAZER LOGINCAPÍTULO 50A Elisa de la Vega segurava um copo de champanhe rosado pela haste, observando a multidão com uma expressão relaxada. Ao lado dela, apoiada na corrimão de madeira rústica, estava a Lucía.A Elisa e a Lucía nunca tinham sido grandes amigas. Ao longo das décadas, tinham conseguido forjar uma relação cordial que, contra todo o prognóstico, tinha melhorado substancialmente.— Olha para eles —disse a Elisa, quebrando o silêncio cómodo que partilhavam. Apontou com o queixo para um grupo de mesas onde os jovens da família estavam reunidos—. Parecem donos do mundo. E pensar que ainda há nada estávamos a discutir sobre a que colégio enviá-los e quem tinha melhores qualificações.A Lucía seguiu o seu olhar. Viu o Mateo a conversar com a sua amiga; viu a Sofía a rir-se às gargalh
CAPÍTULO 49Desde o momento em que a Karla entrou na quinta pendurada do braço daquele tal Julian, com o seu sorriso perfeito e o seu vestido perfeito, tinha sentido uma pontada física no peito que se recusava a classificar como ciúmes.Ele tinha estabelecido que a sua relação com a Karla devia manter-se estritamente profissional para não turvar as águas da VegaCorp. Mas vê-la cumprir essa regra tão à risca, vê-la trazer outro homem para o seu terreno, para a festa da sua família, era uma ofensa ao seu orgulho que não conseguia digerir. Pior ainda, sentia-se também zangado com a Sofía por fugir com o estagiário Esteban, e agora, zangado com a Karla por lhe demonstrar que era completamente substituível.O Thiago sentia ciúmes de toda a gente. Estava chateado.E se havia alguém com um radar infalível para detetar a
CAPÍTULO 48A Sofía não foi a única que deu uma surpresa essa noite.A Karla, a codiretora de operações internacionais, calculava sempre as suas entradas. Sabia que a pontualidade era uma virtude, mas chegar estrategicamente tarde era uma declaração de poder.A Karla desceu do seu veículo exibindo um vestido de seda esmeralda que a fazia ver muito bonita. Mas a verdadeira surpresa não era o seu traje nem o seu atraso calculado.A Karla não chegou sozinha.Ao lado dela, oferecendo-lhe o braço com uma familiaridade polida, caminhava um jovem muito apessoado.Como chegou, a Karla evitou deliberadamente aproximar-se de imediato da mesa principal. Escapuliu-se pela lateral da tenda e sentou-se numa mesa secundária, onde reconheceu várias secretárias e chefias médias da empresa que tinham trabalhado com ela durante o seu breve tempo na sede central. O seu acompanhante correu-lhe a cadeira com galanteria, atraindo olhares curiosos e sussurros imediatos.A partir da mesa da família De la Vega
CAPÍTULO 47À medida que se aproximavam das cavalariças, o som dos graves da festa foi-se desvanecendo, substituído pelo resfolegar suave dos animais e pelo som de cascos inquietos a bater contra a madeira das boxes.O ar dentro da grande estrutura de madeira era quente e cheirava a alfafa doce e a couro limpo. As luzes estavam tenues para não alterar os residentes.— Os animais estão um pouco nervosos com o movimento inusitado da casa —comentou a Sofía em voz baixa, guiando-o pelo corredor central, acariciando os focinhos que espreitavam pelas portas das baias à medida que passavam—. Não estão habituados a tantos carros e a música alta. Têm um ouvido e um instinto muito finos. Sentem que algo está diferente no ar.Chegaram ao fundo do estábulo. Um espaço mais amplo e isolado, onde a luz era quase amarela.Ali, apoiado contra a cerca da box principal, estava o Ramón, um dos empregados mais veteranos e de maior confiança da coudelaria. O Ramón estava a beber um café bem forte, a observ
CAPÍTULO 46O Esteban levava a última meia hora a vaguear pela periferia do evento. Com o seu fato cinzento um pouco mais largo do que o necessário e um copo de vinho que mal tinha tocado.O seu olhar, no entanto, não procurava a aprovação do seu estrito chefe, o Thiago, nem a da impecável Karla. O que realmente queria, o que o tinha mantido a dar voltas à volta da zona dos grelhadores como um satélite tímido, era aproximar-se da Sofía.Tinha-a visto desde o momento em que chegou à quinta no autocarro fretado pela empresa. Ao contrário das executivas com os seus vestidos de cocktail e saltos impossíveis para o relvado, a Sofía levava um vestido comprido e fluido e umas botas baixas de couro. Movia-se entre as mesas com uma naturalidade avassaladora, a rir-se com os empregados de manutenção da mesma forma em que saudava os acionistas mais importantes.Armando-se de coragem, e aproveitando que o Mateo não estava na mesa principal e o Benício tinha arrastado o Thiago para o bar aberto, a
CAPÍTULO 45Mas antes que a Samanta pudesse dar meia-volta e escapar em direção à segurança da casa, a Sofía deteve-a com uma última estocada de hospitalidade.— Samanta —disse-lhe a Sofía—, antes de ires mudar-te... gostaria que ficasses na reunião. Que participasses connosco no jantar.A Samanta arregalou os olhos, alarmada. O seu acordo com o Héctor era claro: dançar e desaparecer. Ficar para jantar com a família De la Vega não fazia parte do plano.— Oh, não, não é preciso —apressou-se a dizer ela, recuando—. Eu já terminei o meu trabalho. Tenho de regressar à cidade, tenho... tenho outros compromissos.A Lucía, que não estava disposta a deixar ir a artista que tinha trazido tanta beleza à sua festa, interveio com a sua autoridade de anfitriã e mãe.— Sim, por favor, Samanta. Fica. —A Lucía pôs-lhe uma mão cálida no braço nu—. Peço-to eu. Fizeste desta noite algo inesquecível para o Alexander e para mim. O mínimo que podemos fazer é oferecer-te um prato de comida quente e um copo







