LOGINCAPÍTULO 38O Thiago caminhava em direção ao seu carro, mesmo quando estava prestes a abrir a porta do condutor, uma figura descolou-se das sombras de uma coluna de betão próxima. O Thiago deteve-se de repente, entreabrindo os olhos até que a luz fluorescente iluminou o rosto relaxado e o sorriso de canto de boca do irmão mais novo.O Benício de la Vega estava apoiado contra o capot do carro contíguo, com as mãos metidas nos bolsos das calças.— O que é que fazes aqui ainda? —perguntou o Thiago, genuinamente surpreendido, franzindo o sobrolho—. São mais do que as oito da noite. Normalmente a esta hora já estás no terceiro cocktail de algum evento social, e não a respirar monóxido de carbono no piso subterrâneo da empresa.O Benício encolheu os ombros, empurrando-se da coluna para caminhar em direção ao irmão com o seu habitual andar preguiçoso mas seguro.— Acredita, eu também faço a mesma pergunta, Imperador —respondeu o Benício, soltando um suspiro exagerado.O Thiago ergueu uma sob
CAPÍTULO 37O café na chávena de porcelana da Karla tinha ficado completamente frio, mas ela não fez o menor ademão de o afastar ou de pedir um novo.Regressou ao seu escritório, sentou-se na sua cadeira de couro branco e abriu o seu computador portátil. O Thiago tinha deixado claro que entre eles haveria apenas uma relação estritamente profissional. Bem. Se ele queria jogar com essas regras, ela seria a jogadora mais implacável. Mas para isso, precisava de recuperar o controlo absoluto dos seus próprios movimentos.Quinze minutos depois, as portas do gabinete da Karla abriram-se. O Thiago entrou. À primeira vista, parecia ter recuperado a sua fachada habitual. O seu blusão estava perfeitamente abotoado, a sua postura era erguida e o seu rosto não mostrava nenhuma emoção evidente. Mas a Karla, que tinha passado o último ano a estudar cada um dos seus gestos, notou a tensão residual na linha da sua mandíbula e a forma como evitava olhar diretamente para os seus olhos.— Os documentos d
CAPÍTULO 36O Esteban caminhava junto da Sofía, a ouvi-la falar com paixão sobre as linhagens, as competições e a gestão da terra.Quando finalmente o sol começou a subir, o Esteban olhou para o relógio e o pânico profissional regressou.— Meninas... quer dizer, senhorita, tem sido o percurso mais maravilhoso que já tive, mas de verdade que tenho de regressar. A reunião do departamento logístico começa à uma hora.— Está bem, vamos deixar-te ir —disse a Sofía, rindo-se—. Acompanho-te à entrada, onde deixaste o teu carro estacionado.Ao chegarem ao modesto carro do Esteban, ele abriu a porta do condutor e deixou o dossier no assento do passageiro.— Muito obrigado por tudo, Sofía. De coração.— De nada, Esteban. Conduz com cuidado.O Esteban sentou-se em frente ao volante, introduziu a chave na ignição e rodou-a.Click, click, click.O motor tossiu fracamente, fez um ruído abafado e morreu.O estômago do Esteban contraiu-se. Tentou de novo.Click. Silêncio absoluto.O jovem estagiário
CAPÍTULO 35O Esteban desligou o motor, pegou no dossier, ajeitou o nó da sua gravata azul-marinho e caminhou em direção à entrada da quinta Flores de la Vega.Subiu os degraus do alpendre e tocou a campainha de bronze que pendia junto à porta principal de carvalho maciço.Esperou.Não se ouviu nenhum som no interior. Voltou a tocar, desta vez um pouco mais forte. Continuou sem receber resposta. Olhou à sua volta, desorientado. A casa parecia imensa e vazia. Secou as palmas das mãos nas calças do fato e decidiu contornar a propriedade.Adentrou-se mais na casa, caminhando por um carreiro de pedra que contornava o jardim traseiro e conduzia a uma série de construções de madeira que pareciam estábulos e celeiros. Estava tão concentrado a olhar para as tabuletas das cavalariças e a certificar-se de que não pisava nenhuma lama com os seus sapatos engraxados, que não reparou para onde estava a virar ao dobrar a esquina de um dos muros de alvenaria.O impacto foi repentino, embora muito men
CAPÍTULO 34— Não vou a lado nenhum até ter a certeza de que estás bem —disse o Mateo à Samanta, com a voz a suavizar-se apenas para ela, ignorando por completo a presença do Héctor.A Samanta olhou-o nos olhos. Viu a teimosia, viu a preocupação genuína, e sentiu o coração a partir-se. Aquele homem tentava realmente protegê-la. E ela tinha de o afastar para o salvar.— O que é que estás a procurar, Mateo? —perguntou-lhe a Samanta diretamente, com a voz a soar mais dura do que o que sentia por dentro, tentando construir um muro entre os dois.O Mateo engoliu em seco. A vulnerabilidade assaltou-o, mas desta vez não ia usar a sua carteira como escudo. Iam ser honestos.— Quero falar contigo —disse ele, num tom baixo e sincero—. Apenas falar. Por favor.O Héctor, a observar a dinâmi
CAPÍTULO 33O Mateo pegou no telemóvel pela enésima vez. O ecrã iluminou-se, mostrando o contacto que tinha guardado há pouco tempo. Tinha estado a pensar todo o dia naquele número. Durante o almoço, tinha digitado pelo menos vinte variações de uma saudação, desde um casual "Olá, sou o Mateo, desculpa pelo de ontem" até um formal "Gostaria de te convidar para tomar um café para pedir desculpa".Mas nunca foi capaz de premir o botão de enviar.Quando o horário de escritório terminou, em vez de ir para o seu apartamento, tomou uma decisão impulsiva. Guardou o telemóvel no bolso interior do seu blusão, apagou as luzes do seu gabinete e desceu para o parque de estacionamento subterrâneo.Não lhe ia escrever. Iia ver a sua dança, como tantas outras noites. Precisava de a ver. Precisava de confirmar que







