Masuk— Ora, ora, ora... Vejam só o que o vento arrastou para a minha cozinha — Ben exclamou, limpando as mãos em um pano de prato e apoiando os braços robustos no balcão. Ele olhou fixamente para o metal reluzente entre os dois. — Eu sabia que o Alfa tinha aplicado um castigo em vocês por causa daquela encrenca no território, mas não sabia que o castigo vinha com joias! Liv tentou puxar o braço para trás, tentando esconder a corrente, mas o movimento só fez o metal tilintar ainda mais alto, atraindo toda a atenção para o pulso de Esmond. — Não é o que parece, Ben — Liv gaguejou, sentindo o rosto pegar fogo pela enésima vez naquele dia. — É só... uma punição para a gente aprender a trabalhar em equipe. Ben soltou uma gargalhada alta que ecoou pelas panelas penduradas no teto. Ele apontou com o queixo para os pulsos unidos deles, fingindo uma expressão pensativa de especialista. — Sei, sei... Punição. Mas vocês têm que admitir que o design é inovador — brincou o cozinheiro, piscand
Assim que a pesada porta de carvalho do escritório se fechou atrás deles, abafando as vozes alteradas dos pais que começavam a discutir lá dentro, Liv soltou o ar que nem sabia que estava segurando. Ela se soltou do aperto firme de Esmond em sua cintura, virando-se de frente para ele no corredor vazio. A corrente de metal balançou entre seus pulsos. — Esmond, por que você fez isso?! — Liv sussurrou dramaticamente, os olhos arregalados enquanto tentava processar o que tinha acabado de acontecer. — Eu já tinha falado para eles que não tinha acontecido nada! Eu já tinha limpado a nossa barra! E agora, depois do seu teatrinho, eles vão achar que a gente... que a gente realmente... Ela gesticulou com a mão livre, o rosto queimando de vergonha só de imaginar o que os adultos estavam pensando naquele exato momento. Esmond parou, enfiando os dedos livres no bolso da calça de velcro nova. Ele olhou para ela, e a postura marrenta que tinha usado para enfrentar os Alfas se desfez, dando lu
— Vamos direto ao ponto que realmente importa aqui — Ian sibilou, a voz grave ecoando pelas paredes do escritório. Ele apontou o dedo na direção de Esmond. — Se a fusão desses tais vetores ou se essa maldita sementinha debaixo daquela coberta tiver gerado consequências... Se a minha filha acabar grávida por causa dessa brincadeira de vocês, eu quero saber agora: você vai honrar o sangue dela? Você vai reconhecer a Liv como sua parceira perante toda a matilha, Esmond? O quarto pareceu perder o oxigênio. Liv arregalou os olhos, sentindo o rosto queimar tanto que achou que ia desmaiar. Grávida? Eles só tinham quinze anos e tinham apenas entrado na cama para fugir do frio! Todos na sala prenderam a respiração, aguardando a resposta de Esmond, enquanto a corrente de metal entre os dois pulsos parecia pesar uma tonelada. O limite da paciência de Liv ruiu. Ela não aguentava mais ouvir aquelas suposições absurdas, muito menos ver o pai acusar Esmond daquela forma. Levantou-se da cadeir
O silêncio entre Liv e Esmond enquanto vestiam as roupas de velcro era quase sufocante. O som do tecido colando parecia alto demais no quarto vazio. Nenhum dos dois ousava se olhar nos olhos. A vergonha do flagrante de Eliza ainda queimava na pele. Unidos pela mesma corrente metálica, os dois adolescentes de quinze anos desceram os degraus de madeira da mansão da matilha com passos pesados, arrastando o peso daquele mal-entendido. Ao se aproximarem das grandes portas de carvalho do escritório do Alfa, o som de vozes alteradas abafou o tilintar das algemas. Uma discussão acalorada acontecia lá dentro. Esmond empurrou a porta devagar, a corrente puxando o pulso de Liv. O clima no escritório estava denso, pesado com a aura de lobos dominantes. De um lado da enorme mesa de mogno, Eliza, a Luna, mantinha os braços cruzados, com a expressão severa. Ao lado dela, Clara — a mãe de Liv e melhor amiga de Eliza — exibia um olhar que misturava preocupação e fúria maternal. Do outro lado,
O vapor quente do chuveiro logo começou a preencher o box, mas o cansaço de estarem algemados tornava cada movimento desajeitado. Liv tentava alcançar os próprios ombros com o sabonete, frustrada com a limitação da corrente que unia seus pulsos. Esmond a observou por um segundo antes de segurar a barra de sabonete com cuidado. — Eu posso te ajudar a lavar as costas — ele ofereceu, a voz baixa ecoando no box. Liv hesitou por um instante, sentindo o coração acelerar com a proximidade, mas cedeu ao cansaço. — Tá bom — respondeu, virando-se de costas para ele. As mãos grandes de Esmond espalharam a espuma pela pele dela com uma delicadeza que Liv não esperava. O toque morno aliviou a tensão dos seus músculos. — E o seu cabelo também — ele completou, massageando o couro cabelo dela com suavidade, enxaguando os fios logo em seguida. Liv fechou os olhos, aproveitando o cuidado. Quando ele terminou, ela se virou de frente, pegando o sabonete da mão dele. — Tá. Eu posso te ajud
Clara e Eliza trocaram um olhar divertido do outro lado da mesa. O plano dos pais estava funcionando perfeitamente: o castigo não era apenas uma punição, era uma lição forçada de convivência e intimidade. No meio daquela proximidade irritante, os hormônios adolescentes e o cheiro de lobo de cada um começavam a preencher o espaço entre eles, plantando a primeira semente de algo muito maior. O General Ian deu um gole em seu vinho, observando com um sorriso divertido o malabarismo que os dois faziam apenas para conseguir levar o garfo à boca. Ele limpou os lábios com o guardanapo e inclinou-se para a frente na mesa, com os olhos brilhando de pura malícia paternal. — Ainda bem que vocês estão presos agora — Ian soltou a provocação, a voz ecoando pela mesa de jantar. — Imagina se for depois dos dezoito anos, e um de vocês encontrar o companheiro de alma e tiver que acasalar algemado? O salão de jantar pareceu congelar por um milésimo de segundo. Esmond engasgou violentamente com o







