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gordinha sem loba prometida ao Príncipe
gordinha sem loba prometida ao Príncipe
Auteur: K.H.Sakamoto

Capítulo 1

Auteur: K.H.Sakamoto
last update Date de publication: 2026-05-11 13:03:21

Eu acordei mais cedo do que de costume. O dia ainda estava escuro, mas eu não sentia mais sono. Não consegui dormir direito; o meu nervosismo falava mais alto. Eu era uma das últimas jovens da alcateia a completar 18 anos e, hoje, finalmente iria participar da cerimônia na floresta para encontrar a minha loba e libertá-la para correr livremente.Tinha tantas perguntas que não saíam da minha cabeça; passei o mês inteiro pensando nisso. Só mais um dia e eu poderia me sentir completa com a minha loba e encontrar o meu companheiro de alma. Alguém que fosse gostar de mim... Gostar não, me amar! Finalmente alguém para me defender das coisas horríveis que as pessoas me diziam desde pequena.Por ser a gordinha da matilha, os outros lobos achavam que tinham o direito de zombar de mim. Falavam coisas desagradáveis, xingavam e tiravam sarro da minha aparência. Eu tentava não levar para o coração, mas era tão difícil. Às vezes eu chorava no banheiro, escondida de todos, mas limpava as lágrimas e saía de lá me fazendo de durona.Para tentar escapar dessa situação, resolvi me esconder na cozinha da alcateia. Ali, entre as panelas e o calor do fogão, ninguém falava da minha forma física. Eu adorava fazer doces e todos começaram a me admirar por ser tão jovem e talentosa. Mesmo assim, de vez em quando, algum lobo jovem tentava me destratar, mas os cozinheiros sempre me defendiam. Talvez tivessem pena de mim. O fato é que passei a minha adolescência inteira ali, protegida e escondida na cozinha.Há dois anos, no entanto, senti que alguém finalmente estava me enxergando além do meu peso e do meu corpo. Uma família de lobos tinha se mudado para a casa ao lado da minha, e com eles veio Christian, um lobo um ano mais velho que eu. Ele sempre puxava assunto, me acompanhava até o trabalho, aceitava os doces que eu preparava e me enchia de elogios.Até que um dia tomei coragem e o convidei para um piquenique. Ele aceitou na hora. Marcaram de ir na minha folga, dali a três dias. Passei esses três dias sonhando acordada. Imaginava se aconteceria o meu primeiro beijo... Quem sabe, um pedido de namoro? Quanto mais eu pensava, mais o meu coração acelerava de felicidade.Com o dinheiro que guardei do meu trabalho, comprei um vestido rosa-claro com estampas de flores pequenas, um perfume novo e um par de brincos com pedrinhas verdes para combinar com o colar que eu sempre usava. Pela pouca atenção que eu recebia da minha própria família e dos amigos, acabei me apegando e começando a amar o Christian. Achei que, lá no fundo, ele sentia o mesmo por mim.Quando o tão sonhado dia chegou, pulei da cama cedo. Coloquei o vestido novo e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alinhado. Fui para a cozinha e comecei a arrumar a cesta com os sanduíches e bolos que passei a madrugada preparando. Assim que terminei, corri para o banheiro, escovei os dentes e fiz uma maquiagem bem leve. Coloquei os brincos novos e borrifei o perfume. Olhando-me no espelho, sorri de verdade. Fazia muito tempo que eu não me arrumava daquele jeito.Às 8:00 em ponto, a campainha tocou. Meu coração quase saiu pela boca. Fui atender e lá estava o Christian, vestindo uma camiseta vermelha de banda e o boné virado para trás. Só que ele não parecia radiante como eu; seu semblante era cansado, com olheiras fundas, como se não tivesse dormido nada aquela noite. Pensei que talvez estivesse nervoso como eu... ou talvez não.— Bom dia, Christian! — eu disse, abrindo o meu melhor sorriso.ele perguntou, sem muita energia.

— Você já está pronta ?

— Já sim! Me ajuda a pegar a cesta? Acabei me empolgando na cozinha e fiz comida demais — falei, tentando disfarçar o tremor na voz pelo nervosismo.

— Vou levar para o carro — ele limitou-se a dizer.

Christian pegou a cesta e caminhou em direção à calçada. Saí logo atrás dele e notei que ele estava com um carro novo: uma caminhonete preta, imponente e muito bonita.

— Belo carro! — elogiei, tentando puxar assunto.

— Obrigado. Ganhei de presente de aniversário .

— Que legal — respondi, subindo no banco do carona.

Ele deu a partida, mas logo diminuiu o ritmo e me olhou de lado.

— Eliza, eu sei que a gente tinha marcado de ir naquele parque perto da entrada da alcateia, mas eu encontrei um lugar muito mais legal. Você não quer ir lá comigo? Tem uma fonte linda perto da floresta.

Olhei para ele, surpresa.

— Perto da floresta? Mas Christian, lá é proibido entrar.

— Eu já fui várias vezes, é super tranquilo. E eu vou estar lá com você para te proteger, lembra?

Meio relutante, mas confiando cegamente nele, eu aceitei.

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