로그인O telefone de Kiraz tocou pouco depois das nove da manhã.
Ela estava sentada perto da janela da biblioteca, com os cabelos presos em um coque frouxo e uma xícara de cappuccino ao lado do notebook. Na tela, havia uma sequência de gráficos, cálculos e anotações referentes a um projeto de tecnologia automotiva que vinha analisando por conta própria. Ao reconhecer o nome do pai, atendeu imediatamente. — Bom dia, pai. Aconteceu alguma coisa? — Precisa acontecer alguma coisa para minha filha atender uma ligação minha? Kiraz sorriu. — Considerando que você costuma resolver metade dos assuntos da empresa antes das oito da manhã, achei que poderia haver uma emergência. — Não há emergência. Quero apenas marcar uma reunião com você. Ela afastou os olhos do computador. — Uma reunião? — Sim. Na empresa. Quero conversar sobre sua participação nos próximos projetos e, principalmente, sobre a sucessão. Kiraz fechou os olhos por um instante. Lá estava aquele assunto outra vez. — Pai, nós já conversamos sobre isso. — Conversamos, mas nunca concluímos nada. Você é minha única filha, Kiraz. Conhece a empresa, conhece nossos projetos e tem formação para assumir responsabilidades maiores. Não pretendo obrigá-la a nada, mas também não vou fingir que não precisamos discutir o futuro dos negócios. Ela passou os dedos pela borda da xícara. Seu pai não estava errado. Esse era justamente o problema. Kiraz havia se formado em Engenharia Automotiva porque sempre soubera que queria trabalhar com tecnologia aplicada aos veículos. Desde pequena, gostava de entender como as coisas funcionavam. Desmontava brinquedos, fazia perguntas sobre os equipamentos da empresa e prestava atenção às conversas que os adultos julgavam complexas demais para uma criança. Com o tempo, aquela curiosidade se transformara em conhecimento. Na faculdade, destacara-se pela capacidade analítica, pela facilidade com cálculos e pela maneira como encontrava soluções para problemas que exigiam paciência e criatividade. Não era apenas uma herdeira preparada para ocupar uma cadeira na diretoria. Era uma profissional que compreendia o negócio, os produtos e os desafios técnicos da própria empresa. A companhia de sua família, construída ao longo de anos de trabalho e inovação no setor automotivo, havia crescido até se tornar uma referência em tecnologias para veículos. Seu pai conhecia a capacidade da filha e confiava nela. Kiraz também conhecia a própria capacidade. O que nunca conseguira explicar satisfatoriamente era por que continuava adiando a decisão. — Eu só acho que ainda posso adquirir mais experiência — respondeu. Do outro lado da linha, o pai permaneceu em silêncio por alguns segundos. — Experiência você já tem. Formação também. O que eu gostaria de entender é se existe alguma coisa além disso que esteja impedindo você de aceitar. Kiraz olhou para o jardim através da janela. Havia uma resposta que não queria pronunciar. Dante. Durante muito tempo, ela imaginara que os dois construiriam uma vida juntos. Ele era herdeiro de uma família influente, ocupava uma posição importante nos negócios e fora preparado para comandar uma empresa desde muito jovem. Kiraz nunca considerara a possibilidade de que o sucesso de um dos dois pudesse ameaçar o outro. Pelo menos, não conscientemente. Ainda assim, sempre que pensava em assumir a liderança da empresa da família, imaginava como Dante reagiria. E acabava recuando. Não porque ele tivesse pedido diretamente que ela desistisse. Dante raramente precisava pedir alguma coisa de maneira explícita. Bastava uma resposta indiferente, uma observação sobre as exigências da vida empresarial ou um comentário sobre a dificuldade de conciliar duas posições de liderança em um relacionamento. Kiraz preenchia os silêncios por conta própria. Convencia-se de que era melhor esperar, de que não precisava assumir tudo imediatamente, de que poderia construir sua carreira sem ocupar o lugar que o pai já considerava destinado a ela. No fundo, temia que sua ascensão profissional criasse um desconforto entre os dois. Não queria que Dante se sentisse diminuído ao lado dela. Era uma preocupação que nunca deveria ter pesado tanto em suas decisões. Mas pesara. — Não existe nada além disso, pai — respondeu, por fim. — Só preciso pensar com calma. — Tudo bem. Vou respeitar seu tempo. Mas quero que venha à empresa nesta semana. Não para assinar nada, nem para assumir um cargo. Quero que participe de uma reunião, conheça os novos projetos e me diga o que pensa. Dessa vez, Kiraz não encontrou motivo para recusar. — Está bem. Eu vou. Quando desligou, permaneceu alguns minutos olhando para o computador sem realmente enxergar os números. Talvez estivesse na hora de voltar a pensar na própria vida sem imaginar, antes de cada decisão, o efeito que ela teria sobre Dante. A ideia ainda parecia estranha. Mas já não parecia impossível. A rotina na mansão Albuquerque estava começando a encontrar seu próprio ritmo. Kiraz continuava acordando cedo, embora nem sempre tivesse algum compromisso que justificasse isso. Gostava de tomar cappuccino na biblioteca, trabalhar em seus projetos e, no fim da tarde, abandonar as obrigações profissionais para assistir à sua série favorita no sofá da sala. Era um hábito antigo: escolhia uma manta confortável, preparava alguma coisa para comer e se instalava diante da televisão como se o mundo pudesse esperar até o episódio terminar. Vicente descobriu essa rotina por acaso. Na primeira vez em que entrou na sala e a encontrou concentrada na tela, ela sequer percebeu sua chegada. Estava tão envolvida na história que reclamou do protagonista em voz alta, indignada com uma decisão que ele havia tomado. Vicente parou junto à porta. — Devo presumir que ele não teve o benefício de consultar você antes de tomar essa decisão? Kiraz levou um susto e virou o rosto. — Você tem o péssimo hábito de aparecer sem fazer barulho. — A casa é minha. Seria preocupante se eu precisasse anunciar minha entrada em todos os cômodos. — O protagonista deveria ter pensado melhor antes de mentir para a mulher que ama. Vicente olhou para a televisão e depois para ela. — Imagino que esteja falando apenas da série. Kiraz apertou a manta contra o corpo. — Não comece. Ele deixou escapar um sorriso discreto e seguiu em direção ao escritório. Naquela noite, não voltou a interrompê-la. E ela continuou assistindo à série, sem imaginar que aquele pequeno episódio seria apenas o primeiro de muitos encontros casuais entre os dois. O que Vicente começou a notar, porém, não tinha relação com a televisão. Tinha relação com o jantar. Nos dias em que chegava cedo, encontrava a mesa preparada no horário habitual. Kiraz aparecia pouco depois, às vezes ainda comentando alguma coisa que havia assistido, às vezes contando sobre um projeto ou uma ideia que queria desenvolver. Jantavam juntos. Não haviam estabelecido essa obrigação. Nenhum dos dois exigia a presença do outro, e Vicente nunca perguntara por que ela estava à mesa quando ele chegava. Simplesmente acontecia. Quando ele se atrasava, a rotina era diferente. Certa noite, Vicente entrou em casa depois das nove. Encontrou Kiraz no sofá, com a manta sobre as pernas e a televisão ligada. Ela olhou rapidamente para ele, cumprimentou-o e voltou a acompanhar o episódio. — Boa noite — disse ele. — Boa noite. Como foi o dia? — Longo. — Imaginei. Ela não perguntou onde estivera, com quem se reunira ou por que havia chegado naquele horário. Não demonstrou irritação, tampouco interrompeu o que estava fazendo para acompanhá-lo. Vicente subiu para trocar de roupa e, ao voltar, encontrou a mesa de jantar vazia. Kiraz continuava no sofá. — Você já jantou? — perguntou, parando perto da entrada da sala. Ela pausou a série. — Ainda não. — Vai jantar agora? Kiraz olhou para o relógio. — Se você for jantar, posso ir também. A resposta foi tão simples que ele não soube imediatamente o que dizer. Ela não estava esperando por uma explicação. Não queria saber por que ele chegara tarde. Apenas queria saber se ele pretendia jantar, porque, se fosse o caso, ela o acompanharia. — Vou, sim — respondeu. — Então me dê dois minutos para terminar de salvar o episódio. Vicente assentiu e seguiu para a sala de jantar. Dois minutos depois, Kiraz apareceu, ainda ajeitando os cabelos, e se sentou diante dele. Durante a refeição, falou sobre a série, contou uma situação engraçada que havia acontecido naquela tarde e perguntou a opinião dele sobre um assunto relacionado à empresa da família. O jantar transcorreu sem pressa. Quando terminaram, Kiraz voltou ao sofá para continuar assistindo ao episódio. Vicente retornou ao escritório. Nada fora combinado. Nada fora cobrado. Ainda assim, aquela noite ficou na memória dele. Na semana seguinte, o mesmo comportamento se repetiu. Quando Vicente chegava cedo, Kiraz jantava com ele no horário habitual. Quando chegava tarde, ela não ficava andando pela casa à sua espera nem enviava mensagens perguntando quando voltaria. Continuava com seus próprios planos. Mas, se descobria que ele também pretendia jantar, acompanhava-o. Vicente começou a perceber que ela não esperava por ele de maneira ansiosa. Não abandonava a própria rotina nem parecia considerar sua presença uma obrigação. Ela apenas gostava de compartilhar aquele momento. A constatação o surpreendeu pela simplicidade. Ele estava acostumado a pessoas que queriam alguma coisa de sua presença: uma decisão, uma assinatura, uma oportunidade ou alguns minutos de atenção que pudessem ser transformados em vantagem. Kiraz não parecia querer nada além de jantar e conversar. E, justamente por isso, ele passou a prestar atenção. Certa quinta-feira, estava saindo de uma reunião quando percebeu que já passava das seis e meia. Tinha outros compromissos pela frente, mas sabia que não conseguiria voltar para casa no horário habitual. Abriu a conversa com Kiraz. Ficou alguns segundos olhando para a tela, como se estivesse tentando encontrar uma justificativa para uma mensagem tão simples. Por fim, escreveu: Tenho uma reunião que deve terminar tarde. Não sei se conseguirei chegar a tempo para o jantar. Enviou antes que pudesse reconsiderar. Kiraz respondeu pouco depois. Tudo bem. Vou jantar mais tarde, então. Vicente leu a mensagem. Ela não reclamara. Não pedira que ele mudasse os compromissos. Não insinuara que ele deveria chegar mais cedo. Mesmo assim, ele percebeu que, sem a mensagem, teria deixado Kiraz descobrir sua ausência apenas quando chegasse à sala de jantar. E aquilo já não lhe parecia tão razoável. Naquela noite, a reunião terminou antes do esperado. Vicente poderia ter seguido diretamente para casa, mas ainda precisava resolver algumas pendências no escritório. Consultou o relógio. Depois, pegou o telefone. Consegui antecipar o fim da reunião. Chegarei às oito. Podemos jantar juntos. A resposta veio acompanhada de uma provocação. Recebi o comunicado. Vou avisar à cozinha que a presidência estará presente. Vicente sorriu para a tela. Peço que evite discursos de boas-vindas. Prefiro uma refeição tranquila. Não prometo nada. Ele guardou o celular e voltou ao trabalho. Pela primeira vez, não estava apenas informando a alguém que chegaria tarde ou cedo. Estava organizando o próprio horário levando em consideração a possibilidade de dividir o jantar com Kiraz. Não era uma obrigação. Era uma escolha. Naquela noite, Vicente chegou em casa pouco antes das oito. A mesa estava posta, e Kiraz já o esperava na sala de jantar. Não havia nada de especial na refeição: pratos simples, suco de morango e uma conversa que começou com um comentário sobre o trânsito e terminou com uma discussão sobre a série que ela acompanhava. Kiraz defendia apaixonadamente uma personagem que Vicente considerava incapaz de tomar uma decisão sensata. — Você está julgando a situação sem conhecer tudo o que aconteceu antes — ela argumentou. — Conheço o suficiente para perceber que ela está repetindo o mesmo erro pela terceira vez. — Pessoas não são planilhas, Vicente. Nem sempre tomam decisões perfeitamente calculadas. Ele apoiou os talheres ao lado do prato. — Finalmente uma observação sensata sobre o comportamento humano. Kiraz abriu a boca, indignada. — Você acabou de concordar comigo e ainda conseguiu me insultar. — Não concordei com tudo. Apenas reconheci que nem todas as decisões precisam ser racionais para serem compreensíveis. Ela o observou por um instante, surpresa com a resposta. Depois, voltou a sorrir. A conversa continuou, e Vicente percebeu que estava prestando mais atenção nela do que na própria refeição. Kiraz falava com entusiasmo quando se esquecia de medir as palavras. Fazia perguntas, defendia suas opiniões e ria sem tentar controlar o volume da própria voz. Havia uma vivacidade nela que aparecia nos momentos mais simples. E ele começava a conhecer esses momentos. Quando o jantar terminou, Kiraz se levantou para voltar à sala. — Vou terminar meu episódio. Se você quiser assistir, hoje é o capítulo em que finalmente descobriremos se eu estava certa. Vicente ergueu uma sobrancelha. — E se você estiver errada? — Isso não vai acontecer. — Sua confiança é admirável. Sua capacidade de admitir erros, aparentemente, ainda está em desenvolvimento. Ela apontou para ele enquanto se afastava. — Você vai acabar assistindo à série só para descobrir que eu tenho razão. Vicente permaneceu à mesa por alguns segundos, ouvindo a voz dela desaparecer pelo corredor. Depois, pegou o telefone e conferiu a agenda do dia seguinte. Tinha uma reunião marcada para o fim da tarde. Poderia delegar parte da discussão ao diretor financeiro e resolver o restante por videoconferência. Não precisava fazer isso. Mas decidiu que faria. Na manhã seguinte, antes de sair para a empresa, enviou uma mensagem a Kiraz. Tenho uma reunião no fim da tarde. Pretendo encerrá-la a tempo de jantar em casa. Ela respondeu enquanto ele ainda estava no elevador. Vou considerar isso uma promessa presidencial. Vicente digitou: Considere uma informação. Promessas são um recurso muito mais caro. Kiraz mandou uma sequência de risadas. Ele guardou o celular, ajeitou o paletó e entrou no carro. Não havia quebrado nenhuma das regras do acordo. Não tinha pedido que Kiraz o esperasse, não exigira que ela alterasse seus planos e não pretendia cobrar a companhia dela como se fosse um direito. Apenas começara a avisar. Porque agora sabia que, em algum momento da noite, ela poderia estar no sofá, envolvida em sua série, com a manta sobre as pernas e uma xícara de chá por perto. E, se ele chegasse cedo o bastante, talvez ela pausasse o episódio, se levantasse e fosse jantar com ele. Vicente não tinha planejado que aquela rotina se tornasse importante. Mas estava começando a perceber que algumas das melhores mudanças aconteciam justamente quando ninguém tentava obrigá-las a acontecer.Capítulo — Quando o mundo souberÀs duas e quarenta da tarde, a sala de imprensa já estava praticamente preparada.O espaço escolhido pela equipe de comunicação de Vicente ocupava o auditório principal da sede da empresa, no alto de um edifício envidraçado que dominava parte do centro financeiro da cidade. Pelas paredes de vidro, era possível observar o movimento dos carros nas avenidas, o reflexo dos prédios vizinhos e o céu claro que começava a perder a intensidade do meio-dia.Lá dentro, porém, toda a atenção estava concentrada no palco.O painel com o nome da empresa ocupava a parede central. À direita, uma tela exibia as primeiras imagens do novo empreendimento imobiliário: construções baixas, madeira, vegetação abundante, caminhos de areia clara e pequenas estruturas distribuídas ao longo da costa. O projeto havia sido concebido para oferecer uma experiência de vila à beira-mar, com bangalôs, cafés, restaurantes e espaços de convivência integrados à paisagem.As primeiras fileir
Naquela noite, nenhum dos dois dormiu direito.Kiraz entrou no quarto, fechou a porta e permaneceu alguns segundos encostada nela.O silêncio do ambiente parecia diferente.Ela já havia tomado banho, trocado de roupa, prendido parte dos cabelos ainda úmidos e organizado algumas coisas sobre a penteadeira. Tudo estava no lugar.Menos seus pensamentos.Ela se sentou na beirada da cama.Por alguns segundos, tentou pensar apenas no dia seguinte.A coletiva.A família.O anúncio.As perguntas que certamente surgiriam.O casamento que, até então, existia apenas dentro de uma pequena bolha protegida dos olhos do mundo.Mas seus pensamentos insistiam em voltar para o escritório.Para o momento em que Vicente havia lido o cartão.Kiraz fechou os olhos.Ela tinha visto.Não precisava que ele dissesse.A mudança havia acontecido diante dela.A mão apertando o papel.Os nós dos dedos embranquecendo.A mandíbula rígida.Aquele olhar que não era exatamente raiva, mas também estava muito distante da
Dante ainda estava parado diante da mesa de Kiraz.Os olhos continuavam presos à mão dela.Ao anel.Era pequeno.Discreto. Elegante.E, justamente por isso, parecia ainda mais difícil acreditar nele.Dante tentou afastar o olhar, mas não conseguiu.Talvez fosse uma encenação.Era a primeira explicação que sua mente conseguia encontrar.Talvez Kiraz tivesse colocado aquele anel justamente para fazê-lo parar. Talvez tivesse sido uma decisão tomada no impulso, uma forma de estabelecer uma barreira que ela sabia que ele não conseguiria ignorar.Talvez Vicente tivesse comprado aquilo apenas para sustentar uma aparência.Um casamento.Uma história conveniente.Uma maneira de encerrar perguntas.Dante agarrou-se a essas possibilidades como alguém que se recusa a aceitar a porta fechada diante de si.Porque, se aquilo fosse realmente um casamento, então significava que ele havia perdido Kiraz.Não apenas perdido a oportunidade de recuperá-la.Perdido a mulher que, por tanto tempo, ele acredi
A manhã avançava na empresa de Kiraz com a normalidade possível.Reuniões.Documentos.Telefonemas.Pessoas entrando e saindo de sua sala.O trabalho não tinha diminuído apenas porque sua vida pessoal parecia ter decidido concentrar acontecimentos demais em um único período.Kiraz estava inclinada sobre alguns relatórios quando sua secretária apareceu.— Kiraz, chegou uma entrega para você.Dante entrou na sala de Kiraz sem saber que aquele dia seria diferente de todos os outros.Tinha ido até ali porque precisava vê-la.Não sabia exatamente o que esperava encontrar.Talvez a mesma mulher que, apesar de tudo, ainda guardava algum espaço para ele. Talvez uma brecha em alguma conversa. Talvez apenas um olhar que confirmasse aquilo que ele insistia em acreditar: que a história dos dois ainda não tinha terminado completamente.Então viu as flores.O buquê estava sobre a mesa.Não era pequeno.Era cuidadosamente montado, elegante, com rosas em tons claros, flores brancas de pétalas delicad
A noite estava fresca quando o carro de Vicente entrou pelo portão da casa de seus pais.Kiraz observou a fachada pela janela.A casa era grande, mas não tinha a imponência fria que ela esperava. Havia árvores antigas ao redor do jardim, vasos de flores espalhados perto da entrada e pequenas luminárias iluminando o caminho até a porta. As janelas do térreo deixavam escapar uma luz quente, e, de algum lugar, vinha o aroma de comida recém-preparada.Ela respirou fundo.Vicente percebeu.— Você está nervosa.— Um pouco.— Não precisa.— Você fala isso porque está chegando na casa dos seus pais. Eu estou entrando pela primeira vez na casa dos meus sogros.Ele desligou o motor e virou o rosto para ela.— Minha mãe não está esperando uma apresentação formal.— Eu sei.— Ela quer conhecê-la.Kiraz sorriu.— Isso me deixa mais nervosa ainda.— Por quê?— Porque quando alguém quer realmente conhecer a gente, não adianta escolher uma roupa bonita e responder educadamente às perguntas. Em algum
A noite já havia tomado conta da casa dos pais de Kiraz quando os dois finalmente se despediram. As luzes do jardim permaneciam acesas, espalhando pequenos círculos dourados pelo caminho de pedras. O ar estava fresco, e uma brisa leve fazia as folhas das árvores se movimentarem acima deles. Da cozinha ainda vinha um cheiro discreto de café e canela, lembrança do jantar que havia terminado alguns minutos antes. Kiraz estava junto à porta, abraçada à mãe. — Agora eu realmente vou — disse, rindo. Catarina segurou os braços da filha antes de soltá-la. — Você falou isso há cinco minutos. — Porque você continua arranjando assunto. — Sou sua mãe. Tenho esse direito. — Direito a cinco minutos extras? — No mínimo. Kiraz riu. — Está bem. Mas agora eu vou mesmo. Catarina ajeitou uma mecha do cabelo da filha. — Me avisa quando chegar. — Mãe, é tarde. Você não precisa ficar esperando. — Eu não disse que vou ficar esperando acordada. Disse para me avisar. — Está bem. — E se estive







