LOGINMateus se levantou depressa, segurou o braço de Rafael e trouxe ele para dentro.— Finalmente voltou! Não fica parado na porta. Vem sentar!Fez Rafael se acomodar na cadeira em frente a Gabriel e tentou reconciliar os dois com um sorriso.— Nós crescemos juntos. Vocês vão guardar rancor a vida inteira por causa de uma briga? Hoje vamos jantar tranquilos. Não podemos deixar nossa amizade acabar!O esforço de Mateus para deixar todos à vontade aliviou um pouco o clima.Gabriel observou o braço de Rafael que tinha sido ferido. Depois de um momento em silêncio, perguntou:— Quando voltou para Cidade do Mar?Rafael respondeu de forma contida:— Meu voo chegou hoje à tarde.— O ferimento já sarou?— Está bem melhor.A conversa foi curta, e o tom ainda era rígido, mas ao menos os dois tinham começado a romper o silêncio.Mateus ergueu a taça.— Agora sim! Vamos brindar à volta do Rafael e aproveitar para matar a saudade. Faz tempo que nós três não nos reunimos!As três taças se encontraram c
Marcelo abriu o cardápio e pediu alguns pratos. Ao perceber Neve olhando ao redor, acrescentou:— E uma porção de cenoura em palitos, sem tempero.O garçom pareceu surpreso, mas anotou o pedido com educação.Beatriz observou Marcelo, intrigada.“Como ele sabe tanto sobre o que os coelhos comem?”Marcelo pareceu notar sua dúvida.— A Isadora já teve coelhos. Vivia deixando comigo para eu cuidar. Acabei ganhando um pouco de experiência.Beatriz ficou ainda mais surpresa. Era amiga de Isadora havia tantos anos e nunca ouvira falar que ela tivesse criado coelhos.O garçom começou a trazer os pratos.Sem mudar a expressão, Marcelo colocou um pouco de casquinha de siri no prato de Beatriz.— Prova. Eles acertam o ponto desse prato como ninguém. Se esfriar, já não fica tão gostoso.Assim, desviou discretamente a conversa sobre os coelhos.O aroma da comida atraiu Beatriz. Ela provou um pouco e constatou que estava mesmo muito bom.Neve também abaixou a cabeça e começou a roer os palitos de
O caminho até o restaurante passava por uma calçada movimentada. Havia muita gente na rua àquela hora. De repente, uma bicicleta elétrica passou em velocidade, muito perto de Beatriz.— Cuidado!Marcelo reagiu rápido. Segurou o pulso dela e puxou Beatriz contra o próprio corpo. Sem tempo de recuperar o equilíbrio, ela bateu o rosto no peito quente dele.Tão perto, Beatriz percebeu um perfume discreto, muito parecido com o de Neve.Marcelo apoiou a mão na cintura dela. A maciez sob sua palma e o aroma suave dos cabelos de Beatriz fizeram seu coração acelerar.Seu rosto, porém, continuou tranquilo. Ele baixou os olhos.— Está tudo bem?Beatriz se afastou depressa.— Está. Obrigada.— Que bom.Marcelo retirou a mão, como se o impulso de proteger Beatriz e a súbita aceleração do coração não tivessem acontecido.Ao colocar a mão no bolso do paletó, esfregou as pontas dos dedos sem perceber, como se quisesse prolongar a sensação daquele toque macio.Os dois continuaram lado a lado. O r
Beatriz chegou à cafeteria, mas não encontrou Isadora.Pegou o celular e ligou. Isadora atendeu rapidamente.— Você já chegou? Surgiu um imprevisto, e não consigo sair daqui! Mas fica tranquila, tem alguém cuidando do Neve. Vai para a esquerda. Você encontra logo.Beatriz seguiu a direção indicada. De longe, viu um homem sentado numa cadeira. Quando se aproximou e reconheceu Marcelo, parou.Sob a luz do fim de tarde, ele estava recostado, com as pernas cruzadas. O terno destoava do ambiente descontraído. Em seu colo, Neve mastigava uma folha tenra de capim.O contraste era marcante: Marcelo, tão sério, com um coelho delicado no colo.Beatriz ficou olhando por um instante, distraída.Marcelo percebeu e ergueu a cabeça com tranquilidade.— Por que está parada aí? Vem ver o Neve. Ele ficou com saudade de você esses dias.Beatriz voltou a si e se aproximou, surpresa.— É você?Ela tinha imaginado que Isadora pediria a outra pessoa para levar o coelho.Marcelo acariciou as orelhas de N
Gabriel apertou o copo de vidro à sua frente com tanta força que parecia prestes a partir.A raiva estava evidente em seus olhos.Tinha gastado uma fortuna para contratar Simão e outros funcionários essenciais, usando seu poder financeiro para pressionar a NovaCura Biotecnologia. Queria deixar Beatriz sem saída, até que ela viesse pedir ajuda.Não imaginava, porém, que Beatriz fosse tão teimosa. Ela não tinha cedido. Pelo contrário, a crise só a aproximara ainda mais de Rodrigo.Os dois faziam hora extra juntos todos os dias, resolviam problemas técnicos lado a lado e até passavam a noite na empresa!Depois de tudo o que fizera, Gabriel não tinha conseguido afastar Beatriz de Rodrigo. Só criara mais oportunidades para os dois ficarem a sós.Era absurdo!Tomado pela irritação e pela raiva, Gabriel colocou o copo sobre a mesa. A base bateu na superfície com um som surdo.Para Flávio, o ambiente parecia sufocante. Depois de um longo momento, ele arriscou:— Devemos continuar tentando
As palavras de Rodrigo ajudaram Beatriz a se acalmar. Ela sustentou seu olhar.— Pode ficar tranquilo. Vou enfrentar isso com você. Aconteça o que acontecer, precisamos manter a empresa de pé.Rodrigo olhou para ela com mais ternura. Ligou pelo ramal e pediu à secretária que convocasse os principais profissionais da equipe técnica e os diretores de todos os departamentos.Dez minutos depois, a sala de reuniões estava cheia. A notícia da demissão de Simão já tinha se espalhado. A saída repentina de um dos principais nomes da equipe técnica deixou todos preocupados.Rodrigo ficou à frente da mesa e, sem fugir do assunto, explicou por que tantas pessoas tinham saído nos últimos dias.Falou com firmeza e sinceridade:— Sei que a oferta deles é muito atraente e difícil de recusar. Neste momento, não temos como oferecer as mesmas condições. Mas garanto que a empresa fará todo o possível para proteger os interesses de quem decidir ficar. Vamos aumentar, em todos os projetos principais, a







