LOGINVer Vanessa tão abatida finalmente suavizou um pouco a atitude de Gabriel.Regina havia divulgado a gravidez para a imprensa pelas costas dele, e aquilo realmente tinha provocado sua raiva.Nos últimos dias, Gabriel providenciara um carro com motorista e funcionários para cuidar de Vanessa, mas não fora visitar ela pessoalmente.Ainda assim, acreditava que ela estava esperando um filho seu.Depois de alguns instantes em silêncio, respondeu num tom mais ameno:— Estive ocupado com o trabalho. Não fica pensando nessas coisas.Vanessa aproveitou para apertar sua mão. A voz ficou ainda mais doce, quase uma súplica.— Posso ir morar com você? Não quero ficar sozinha. Queria ver você todos os dias... O bebê também quer ouvir sua voz todos os dias...Gabriel recusou de imediato.— Estou acostumado ao silêncio. Tenho poucos funcionários em casa, e eles não conseguiriam cuidar de você direito. Você precisa de cuidados profissionais. O lugar onde está agora é mais adequado.O tom não deixava esp
Assim que terminou de falar, Mateus se arrependeu.Gabriel virou o rosto de repente e fixou os olhos nele.— Como você ficou sabendo disso?A frieza da voz era assustadora. Intimidado, Mateus passou a mão pelo nariz, sem graça, e respondeu mais baixo:— Da outra vez, encontrei um laudo de exames por acaso... A culpa foi minha. Falei demais...Queria poder retirar o que acabara de dizer.Só então Gabriel lembrou que, depois daquele dia, o laudo havia desaparecido sem explicação.Mateus tinha encontrado o documento e ainda contado aquilo para outra pessoa!Gabriel estava prestes a explodir quando o toque insistente do celular quebrou o silêncio.Atendeu com impaciência e ouviu a voz aflita de uma enfermeira:— Sr. Gabriel, Vanessa caiu aqui no hospital e está com sangramento vaginal! Venha depressa!A expressão dele mudou na hora. Ele se levantou do sofá de um salto, deixou de lado a discussão com Mateus e saiu a passos largos.Mateus ficou olhando para a porta, confuso.— Pela reação
Aflito e irritado, Mateus apontou ao redor e baixou a voz.— Olhem onde vocês estão! Não têm medo de alguém filmar, postar na internet e fazer vocês virarem piada?— Já consigo imaginar a manchete: Gabriel, presidente do Grupo Santos, e Rafael, presidente do Grupo Almeida, brigam por ciúme e trocam socos em plena rua! Vocês perderam a vergonha? Ninguém está preocupado com as ações das empresas?Gabriel retrucou, com a voz baixa e carregada de raiva:— Quem disse que estou com ciúme?Rafael ajeitou a gola desalinhada e soltou uma risada de deboche.— Você está brincando, Mateus. Gabriel gosta de outra pessoa. Por que teria ciúme da Beatriz, se nunca deu importância para ela?Gabriel virou a cabeça de repente, ainda mais furioso, e pareceu pronto para avançar outra vez.Mateus já não aguentava.— Chega! Calem a boca, os dois!Com toda a força que tinha, conseguiu conter Gabriel e Rafael. Entre empurrões e puxões, colocou um no banco do passageiro e o outro no banco de trás.— Pelo amor
Gabriel encarava Rafael, com os olhos cheios de raiva.— Eu perguntei para a Beatriz. A gente nem se divorciou ainda. O que você tem a ver com isso? Está dando em cima dela na minha frente?A batida tinha bloqueado o trânsito, e os carros atrás deles buzinavam sem parar.Rafael não queria constranger Beatriz. Fez sinal para um táxi que passava, abriu a porta e falou com gentileza:— Vai para a NovaCura Biotecnologia. Eu resolvo isso aqui. A gente se vê daqui a pouco.Beatriz não queria continuar discutindo com Gabriel. Assentiu, entrou no táxi e foi embora.A indiferença dela só aumentou o ciúme de Gabriel.Enquanto o motorista entrava em contato com a seguradora e chamava o guincho, Gabriel e Rafael foram para a calçada. Nenhum dos dois recuava. A qualquer momento, poderiam partir para a briga.O motorista se afastou e ligou depressa para Mateus.Gabriel não tirava os olhos de Rafael.— É melhor você me explicar direito essa história! Por que ela estava no seu carro?Rafael respon
O carro entrou devagar no trânsito da manhã. Beatriz segurava o volante com atenção e dirigia com cuidado, sem pressa.Rafael estava recostado no banco do passageiro, relaxado. De vez em quando, observava o rosto concentrado de Beatriz de perfil. Aproveitava aqueles momentos tranquilos, só com ela, e chegou a desejar que o caminho fosse mais longo.— Não precisa ter pressa. Pode ir devagar.Sua voz era suave, com uma ternura indulgente. Mas a tranquilidade durou pouco.Atrás deles, num Rolls-Royce preto, o motorista observava o carro de luxo que seguia devagar demais, sem manter a direção com firmeza.— Sr. Gabriel, aquele parece ser o carro do Sr. Rafael. Por que está dirigindo com tanto cuidado hoje?Gabriel estava lendo documentos. Ao ouvir o comentário, ergueu a cabeça.Reconheceu a placa. Era mesmo o carro de Rafael.Como o braço ainda não estava totalmente recuperado, Rafael sempre saía com motorista. Por que o carro estava sendo conduzido daquele jeito?Gabriel franziu a te
Beatriz falou com suavidade, mas num tom sério:— Muito obrigada pelo que fez em Neon City. Ainda não tinha encontrado uma oportunidade de agradecer direito.— Fiz o que precisava fazer. Não precisa ficar pensando nisso.Rafael tratou o assunto com leveza. Seu olhar desceu por acaso e parou.No pulso de Beatriz havia uma pulseira de ouro com esmeraldas que ele nunca tinha visto. As pedras eram intensas e brilhantes, e o estilo e o trabalho da peça revelavam sua antiguidade. Era evidente que tinha muito valor.Na tarde anterior, diante da NovaCura Biotecnologia, o pulso de Beatriz estava vazio.Seria um presente do avô materno de Rodrigo?A ideia apertou o peito de Rafael. O cansaço da noite sem dormir e o frio da espera voltaram de uma vez, quase insuportáveis.Ele engoliu a amargura e tentou perguntar casualmente:— Desde quando gosta de esmeraldas? Essa pulseira é muito bonita.Beatriz tocou a joia por impulso, com uma expressão resignada e constrangida.— Era do Anselmo. Ele ach







