LOGINIsadora ficou alerta na hora. Como já considerava Beatriz sua futura cunhada, ficou com medo de que alguém conquistasse ela e se apressou em responder:— Não precisa se preocupar! Eu venho buscar Beatriz amanhã. Já está tudo combinado!Beatriz também assentiu de leve, recusando a gentileza de Rafael.A educação distante dela fez o olhar dele perder um pouco do brilho. Ainda assim, Rafael não insistiu. Apenas sorriu com suavidade.— Está bem. Descansa bastante.......Na manhã seguinte, Isadora foi buscar Beatriz para a alta. Os procedimentos estavam quase concluídos quando, ao chegarem ao saguão do térreo, uma enfermeira veio atrás delas às pressas.Explicou que o custo de um material utilizado no atendimento ainda não tinha sido lançado na conta e precisava ser pago.— Beatriz, me espera aqui. Já volto!Isadora foi depressa ao setor de pagamentos.Beatriz ficou sozinha num canto do saguão movimentado, esperando em silêncio.Nesse momento, Regina e Murilo também entraram no hospital
Gabriel estava com uma expressão péssima. Não esperava que Rafael fosse capaz de dizer coisas tão duras por causa de Beatriz, mesmo que destruísse de vez a relação entre os dois.Uma voz clara e irritada interrompeu o confronto:— O que vocês dois estão fazendo aqui?Isadora terminara o trabalho e voltara depressa para o hospital. Mal saiu do elevador, viu Gabriel e Rafael bloqueando a porta do quarto de Beatriz.Por instinto, imaginou que tivessem vindo juntos e perdeu toda a gentileza.— Vanessa não está neste andar. Vocês erraram o caminho?Sem permitir explicações, fez um gesto mandando os dois embora.— Podem ir! Beatriz precisa descansar. Por favor, parem de atrapalhar ela!A intervenção de Isadora impediu que o confronto continuasse.Pelas posições que ocupavam e pelo ambiente do hospital, Gabriel e Rafael não podiam continuar discutindo diante dela. Precisaram interromper a briga e se afastar, ainda cheios de raiva.Quando Isadora voltou ao quarto, Beatriz acabara de acordar
O olhar de Gabriel desceu até a gaze branca no pulso de Beatriz. Sua expressão ficou sombria, e um peso tomou seu peito, junto com emoções que mal conseguia distinguir.Em quatro anos de casamento, parecia nunca ter olhado para ela de verdade.Ignorara sua força, sua dor e até sua beleza.Gabriel estava perdido nesses pensamentos quando Beatriz franziu a testa, como se tivesse um sonho inquietante.Ao perceber que ela podia acordar, sentiu um aperto inexplicável. Se levantou por reflexo e saiu do quarto sem fazer barulho.Acabara de fechar a porta com cuidado quando se virou e deu de frente com Rafael.Ele vinha a passos largos, com o cansaço de uma viagem longa estampado no rosto, como se tivesse ido direto do aeroporto para o hospital.Gabriel fechou a expressão. Sabia muito bem que Rafael estava no exterior, negociando um projeto fundamental no qual investira muito esforço. Não deveria estar ali naquele momento.— O que você está fazendo aqui?Rafael parou. Não se deu ao trabal
Vanessa engoliu o que estava prestes a dizer.Sabia que insistir em novos pedidos só aumentaria a irritação dele.Gabriel não falou mais nada. Se virou e saiu.Assim que ele foi embora, Regina e Murilo entraram, ansiosos.— E então? Gabriel perdoou a gente? Concordou em não retirar os investimentos?A fragilidade desaparecera do rosto de Vanessa. Restavam apenas cansaço e irritação.— Ele voltou a falar comigo, mas está diferente. Muito mais frio. Tentei mencionar o Grupo Ferreira, só que, quando vi o olhar dele, não tive coragem de continuar!A esperança de Regina e Murilo desapareceu. Os dois desanimaram e responderam, constrangidos:— Não podemos ter pressa... Mas o Grupo Ferreira já cresceu tanto. Se ele retirar o dinheiro, vamos ficar sem capital de giro na mesma hora. E o banco não para de cobrar. O que vamos fazer?Vanessa pensou por um momento e respondeu, contrariada:— Gabriel já me deu várias joias caras e bolsas. Devem valer alguma coisa. Procurem alguém para vender tudo e
Os ombros de Vanessa tremiam com o choro, fazendo ela parecer ainda mais desamparada.— A gente quase perdeu o bebê... Eu fiquei com tanto medo...Gabriel baixou os olhos para a mão que segurava a sua, com uma expressão difícil de decifrar. Soltou os dedos de Vanessa discretamente, sem demonstrar vontade de prolongar o contato.Por consideração ao pedido de Samuel, e por acreditar que ela esperava um filho seu, não conseguia ignorar tudo. Mas aquilo não significava que havia perdoado o que Vanessa e sua família tinham feito.Ela percebeu a distância e entrou em pânico, chorando ainda mais.— Desculpa. Eu sei que errei...Entre soluços, tentou explicar:— Naquele dia, depois que a gente saiu do hospital veterinário, fiquei muito triste e reclamei um pouco com meus pais. Disse que tinha visto Beatriz com o coelho no colo e que você não parava de olhar para ela. Falei que isso me deixou mal... Mas eu só reclamei! Nunca pedi que eles fizessem nada!Vanessa se defendia com urgência, tenta
— Beatriz está bem...A breve hesitação e a insegurança do assistente não passaram despercebidas.Rafael abriu os olhos de repente, sério.— O que aconteceu? Quero a verdade!O assistente ficou tenso. Sabia que não conseguiria esconder, então reuniu coragem e tentou relatar os fatos de forma breve:— Os pais de Vanessa roubaram o coelho de Beatriz e mataram o animal para fazer um ensopado. Ela foi à Mansão dos Ferreira, e houve um conflito. Depois, teve uma recaída da depressão, feriu o pulso e precisou ser internada.Rafael ouviu em silêncio.Seu rosto parecia não mudar, mas a força com que apertava a caneta revelava o choque e a preocupação que tentava conter.Quando o relato terminou, o silêncio tomou os dois lados da chamada. Só depois de alguns segundos Rafael falou, com a voz gelada e cheia de raiva reprimida:— Isso aconteceu há vários dias. Por que só está me contando agora?Rafael não costumava ser severo a ponto de ignorar as circunstâncias. Quando se tratava de Beatriz, p







