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Capítulo 158: Ainda não...

Author: Maria Anita
last update publish date: 2026-09-15 00:21:41

"Dante"

O cheiro sutil de álcool da sala de espera de luxo da clínica de fertilidade enevoava a minha mente com a ansiedade de saber se a Valentina estava grávida. Mas também me fazia lembrar dos dias de apreensão dentro do hospital em Boston, o que me levava ao fato de que eu estava guardando um enorme segredo da Encrenca e isso começava a pesar mais do que eu tinha imaginado.

Eu estava sentado naquela cadeira de couro numa manhã de segunda feira, ajeitando o colarinho do meu terno a cada cin
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    "Valentina"Eu pisquei várias vezes olhando para a minha avó. Eu não sabia o que dizer. Quando nós morávamos juntas eu sempre corria para o colo dela e acabava contando o que tinha acontecido, às vezes ela parecia distante brincando com os meus cabelos e dizendo que eu era igualzinha a minha mãe, outras vezes ela dava um conselho, e muitas das vezes ela contava uma história de "como era no tempo dela" como ela dizia. Mas ela sempre me ouvia e me fazia um carinho. Só que agora, eu não sabia o que eu podia falar para ela. - Não está acontecendo nada, vó. Só esse seu celular. - Eu sorri para ela enquanto ela nos guiava para dentro do residencial. - Ah, isso foi um presentão! Agora eu sou "colectada"! - Ela falou empolgada.- É conectada, vó! - Eu ri. - É, isso. Agora me diz, Tininha, o que você tem? E não diga nada, eu te conheço.- Ah, vó... - Eu olhei para ela um pouco emocionada. Foi esse afeto da minha avó que me sustentou a maior parte da minha vida e o Dante ter me trazido para

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    "Valentina"O carro se afastava da clínica de fertilidade, mas a irritação e a frustração que azedavam o meu humor continuavam a ferver sob a minha pele. Eu queria gritar e so'car alguma coisa e na minha cabeça eu estava correndo e gritando. Na minha cabela eu estava correndo atrás do médico e gritando com ele! Aquele "quase" que parecia ter se tornado a minha vida tinha um peso sufocante. Eu estava quase inaugurando o estúdio, quase casada, quase viúva, quase tendo intimidade com o Dante, quase grávida, quase... feliz! Mas o que faltava para o "quase" ser um "finalmente"? Para o estúdio faltava uma data, para o meu casamento faltava o Dante me amar, para a minha viuvez... não, isso não, isso eu não queria. Para a intimidade e o grávida faltava uma longa semana. E para ser feliz? Faltava o Dante se apaixonar por mim! Mas essa manhã o que fazia a minha cabeça parecer um gongo sendo martelado por um chinesinho sorridente era o quase grávida. Eu estava quase grávida, o embrião parecia

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    "Otto"O tilintar irritante das colheres contra as xícaras de porcelana daquela cafeteria de luxo perto do shopping martelava a minha têmpora como se meus olhos fossem se ejetar para fora das órbitas. Eu estava sentado em uma mesa oculta na penumbra dos fundos do estabelecimento, sentindo a raiva dos acontecimentos do fim de semana ferver dentro de mim. E agora ainda tinha a Agatha! Que arrependimento de ter levado aquela garota no baile, não me serviu de nada e ainda grudou em mim como um carrapato querendo conhecer toda a sociedade do Vale. Acabei bebendo mais do que normalmente bebo para aturar aquela chata. Mas se tinha uma coisa que eu não deveria ter feito, era levar aquele projeto de patricinha pobretona para um hotel depois da festa. Foi uma burrice ter levado aquela sonsa para a cama. Só faltava agora ela grudar em mim. Porque uma coisa era ficar com ela se ela se tornasse o novo amor do Dante, outra muito diferente era grudar em mim assim, sem mais, nem menos. E a ligação

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    "Dante"Eu olhei para a Valentina e o meu peito se apertou. Eu estava ansioso, mas eu sabia que a maior carga estava sobre os ombros dela. Foi ela quem tomou injeções de hormônio, era ela quem teria que lidar com todas as mudanças físicas, era ela quem teria que deixar o trabalho de lado por um tempo. Ela estava se adaptando na minha vida. O mínimo que eu devia a ela era ser o seu conforto, então eu a puxei para um abraço e beijei a sua testa, acariciando as suas costas e procurando o que dizer, mas o médico encontrou as palavras antes de mim. - Talvez eu não tenha sido claro o suficiente no dia do implante, vocês estavam com outros compromissos marcados e com um pouco de pressa e não fizeram muitas perguntas, pensei que não havia ficado nenhuma dúvida. Foi uma falha minha e eu peço desculpas por isso. - O Dr. Salvador explicou de forma gentil, ajeitando os óculos. - O que eu quis dizer é que hoje, nós verificaríamos os relatórios de dados e a necessidade de ajustes hormonais para a

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    "Dante"O cheiro sutil de álcool da sala de espera de luxo da clínica de fertilidade enevoava a minha mente com a ansiedade de saber se a Valentina estava grávida. Mas também me fazia lembrar dos dias de apreensão dentro do hospital em Boston, o que me levava ao fato de que eu estava guardando um enorme segredo da Encrenca e isso começava a pesar mais do que eu tinha imaginado. Eu estava sentado naquela cadeira de couro numa manhã de segunda feira, ajeitando o colarinho do meu terno a cada cinco segundos sem conseguir acalmar todos aqueles sentimentos no meu peito. A Valentina havia sido submetida a exames de sangue e nós estávamos esperando os resultados.Eu nunca havia experimentado algo assim, um desejo tão bruto e desesperado, querer algo que não dependia apenas de mim ou que eu não pudesse resolver. Eu queria aquele filho, com a mesma intensidade que eu queria a Valentina e isso era muito mais do que a minha empresa significava para mim e muito mais do que o meu desejo inicial d

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    "Otto"O clima ao redor da mesa de café da manhã na segunda feira estava insuportável. O Dante e a sua dançarina de quinta categoria pareciam nem notar que a Aurélia, o Breno e eu estávamos à mesa, eles estavam cheios de sorrisinhos e gentilezas um com o outro. O Lorde Montenegro agia com aquela sua habitual arrogância de quem é o dono absoluto do vale, e a dançarina vulgar ostentava um sorriso irritante e brincos de turmalina rosa que valiam uma fortuna. Eu mal conseguia segurar o garfo, sentindo o meu estômago queimar de puro ódio que vinha se acumulando desde que aquela vadia entrou na nossa casa. - Você viu, perua, o presentinho que o meu marido me deu ontem? - A Valentina fez questões de provocar a Aurélia exibindo os brincos. - Lindos, não são?!- Em uma mulher vulgar como você parecem bijuteria barata! - A Aurélia cuspiu, estava quase engasgando com o próprio veneno. - Ah, perua, vulgar é você e aquela sua amiguinha que tentou agarrar o meu marido ontem, as duas viciadas em d

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