LOGIN"Valentina"As palavras do Dante me atingiram em cheio. Eu disse a ele que ele precisaria de mais do que palavras e ele estava ali, me desarmando com duas folhas de papel cheias de palavras e mais aquele seu palavrório doce e cheio de promessas de um futuro. E no meio daquilo tudo ele falou do anel que não estava mais no meu dedo.- Eu já arranquei o anel... - Eu falei com pesar. - E eu vou colocá-lo outra vez no seu dedo se você quiser ficar, porque aquele anel só teve uma dona antes de você, a minha mãe! A Carmela nunca teve aquele anel e eu nunca pensei em dá-lo a ela ou a nenhuma outra mulher. Ontem você já sabia quem era a Carmela, provavelmente ouviu a fofoca de que eu me tornei arrogante, frio e mau humorado depois que ela foi embora, o que é uma mentira. - Você não se tornou arrogante, frio e mau humorado? Conta outra, Montenegro.- Eu não percebi que me tornei arrogante, frio e mau humorado, mas isso não foi por causa da partida dela. Isso foi porque eu estava me preparando
"Valentina"Quando a manhã de domingo nasceu, eu ainda não estava pronta para sair da cama. Depois de deixar do quarto do Dante, eu havia passado o resto da madrugada chorando. Eu não costumava me abalar assim, mas nos últimos meses aconteceram tantas coisas que eu me sentia como se estivesse soterrada. E todos aqueles hormônios por causa da fertilização in vitro estavam me deixando num carrossel de emoções que eu tentava equilibrar. No entanto, a noite passada foi a gota d'água. Eu ainda remoía a dor de ver a Carmela Malta rindo colada ao peito do meu marido na pista de dança como um soco no estômago. Então eu fechei os meus olhos e deixei o sono me abraçar outra vez.Acordei com o peito um pouco mais leve, mas com a cabeça dando voltas em tudo o que tinha acontecido e o que eu ouvi do Dante. Ele disse que era louco por mim e eu não podia mesmo negar que havia tesão entre nós, mas e se fosse só isso? E ainda tinha o ciúme, que ele deixou bem claro na noite passada, mas isso podia se
"Dante"Ouvir aquelas palavras saírem da boca da Valentina com uma crueza mundana e uma dor escancarada cortou o clima de cobranças e irritação e fez o meu mundo inteiro desabar. Meu coração se retorceu no meu peito e o meu rosto despencou da fúria possessiva do ciúme que me agitava para o mais puro, visceral e descontrolado desespero. Eu estremeci e as minhas mãos tremeram levemente diante do pânico real de perdê-la. Aquilo era tudo que eu não queria, que ela se sentisse um meio para um fim, unicamente parte de um plano de sucessão, pois embora no início tenha sido isso, há algum tempo já não era mais. Eu senti o meu peito esmagado por um soco de realidade que me tirou o fôlego e me fez oscilar.“Eu sou apenas uma peça utilitária temporária desse casamento de fachada! Um escudo contra os encostados da sua família e um útero de aluguel para gerar o seu herdeiro legítimo...” As palavras dela eram duras e não poderiam ser mais equivocadas, mas elas ecoavam nas paredes como um liquidif
"Valentina"Assim que o Dante e eu colocamos os pés fora do salão de festas, nós demos de cara com a Carmela. A ousadia daquela fulaninha Malta não conhecia limites e nem bom tom. Ela se aproximou, mostrando a boca cheia de dentes para soltar a última provocação da noite. Ela olhou para o Dante e tocou o braço dele com uma intimidade grande demais.- Queridos, já estão de saída. - Ela olhava para o Dante como se ele fosse dela e falava com a voz melosa. - Dan, eu passo no escritório essa semana para almoçarmos juntos naquele restaurante que eu amo e você me levava sempre. Eu esperei que o Dante colocasse limite nela, mas aparentemente o meu marido não sabia o que fazer com a atual e a ex em franca colisão. - Ah, querida, aparece mesmo, eu vou adorar te levar para almoçar. - Eu respondi com um sorriso cínico. - Acho que o seu pai deve ter comentado que eu trabalho na holding, não é?! Divido a sala com o meu marido. - Isso tudo é insegurança, Valentina? Precisa vigiá-lo o dia todo? -
"Valentina"A fulaninha Malta tinha desaparecido das minhas vistas, mas a fúria ainda queimava sob a minha pele, mesmo enquanto o Dante tentava me amolecer com os seus gracejos. Depois de mais duas músicas eu quis voltar para a mesa, mas assim que nos sentamos, dois senhores se aproximaram e puxaram uma conversa de negócios. Eu me levantei para ir ao banheiro, mas o Dante segurou o meu pulso e quando eu me virei, ele me olhava com uma interrogação nos olhos, então eu sorri e me aproximei dele. - Eu vou ao toillete, Montenegro, se mantenha a metros de distância daquela fulana e se comporte ou eu acabo com essa festinha em grande estilo. - Eu falei baixo em seu ouvido, mas aparentemente ele não me levava a sério, pois deu um beijo abaixo da minha orelha e quando eu me afastei ele estava sorrindo. Eu ergui o queixo e atravessei o salão a passos rápidos direto para o luxuoso banheiro social, eu precisava de um momento longe de todo aquele barulho da festa.Parei em frente ao espelho, ab
"Valentina"Eu estava a ponto de perder a minha paciência que já era curta, mas a intervenção do Sr. Malta me fez respirar fundo. Ele era um dos membros mais importantes do Conselho e eu sabia que eles estavam de olho no Dante graças as armações do Otto. E o Dante também sabia disso. Diante da pressão que a presença do Malta exercia veladamente, ele aceitou a troca de parceiros para a dança. O meu marido se inclinou, depositou um beijo rápido no meu rosto e falou bem baixinho para que só eu pudesse ouvir:- Eu preciso ceder por causa do Malta, Encrenca… você sabe. É só uma música, eu juro que não significa nada.Eu não respondi absolutamente nada, apenas silenciei a mágoa e a agonia avassaladora que esmagaram o meu peito. Eu abri um sorriso falso, ergui o queixo e aceitei a oferta de uma dança do Sr. Malta, enquanto via o Dante segurar nos seus braços a outra. O Malta começou a guiar os meus passos com uma conversação suave, se desculpando mais uma vez pelo atrevimento da filha e gara







