LOGIN"Valentina"Enquanto a Tati contava os problemas com o Murilo, a Constança e a Márcia ouviam atentamente, fazendo perguntas e manifestando apoio a Tati. E como a Constança perguntava! Com aquele jeitinho espaçoso, ela estava arrancando tudo o que queria da Tatiana e talvez agora ela soubesse mais do Murilo do que ele gostaria. Quando a Tati terminou a Constança estava com a mão sobre o coração.- Mas o Murilinho foi muito insensível! - A Constança declarou. - Você está certa, Tati, nós precisamos ensinar ao Murilinho que não é assim que ele trata a futura mãe dos filhos dele! - Calma aí, Constança. - A Tati, já bem mais à vontade, tentou conter a euforia da mãe do Murilo. - Seu filho e eu não somos...- Ah, minha filha, vocês são! Pode acreditar no que eu digo com a voz da experiência, vocês são um casal, e só estão desperdiçando energia e tempo negando isso. - A Constança afirmou cheia de si. - Agora, preste atenção no conselho que eu vou te dar. Faça o Murilinho se ajoelhar aos seu
"Valentina"A Tatiana piscou várias vezes encarando a mulher, enquanto eu tentava balbuciar uma saída para proteger a minha amiga, mas o olhar incisivo, a persistência e a quantidade de palavras que a Constança Dornelles conseguia proferir em qualquer mínimo espaço de silêncio tornavam impossível interrompê-la ou contrariá-la. Eu dei uma boa olhada na mãe do Murilo. A Constança era a imagem da elegância e da autoridade em seu conjunto de alfaiataria azul marinho e a postura de um general passando em revista seus soldados. Mas, apesar de sua presença dominar o ambiente, ela não gritava arrogância ou futilidade como a Aurélia. Ela parou de falar e mediu a Tatiana da cabeça aos pés, passou os olhos pelas caixas de pizzas e abriu um enorme e carismático sorriso enquanto esperava a resposta da Tati. - Ela disse sogra? - A Tati murmurou para mim, com os olhos estatelados na senhora em nossa frente. - Ela disse. - Eu confirmei.- Sra. Constança... - A Tati tentou falar.- Querida, é apena
"Valentina"Menos de duas horas depois, enquanto os créditos do filme subiam na tela, nós havíamos devorado a metade das pizzas e todo o pote de sorvete. Nós estávamos esticadas nos colchonetes espalhados pelo chão de cimento polido do galpão industrial e a Tatiana parecia mais calma. Eu não perguntei, não pressionei, apenas fiquei ali ao lado dela. Eu sabia que quando se sentisse pronta ela falaria. - Ele me humilhou, Tina. - Ela falou com um rastro de dor na voz e então começou a contar tudo o que tinha acontecido. Ela chorou e quando terminou se virou para mim. - Como é que você vai defender o engravatado de merda agora?- Tati, ele não deveria ter feito isso. Ele errou feio. - Eu me virei para ela. - Mas você tem que considerar a situação sob o ponto de vista dele. Já parou pra pensar como são as mulheres que o Dornelles conhece? Você viu naquele baile, elas são muito diferentes de nós. Talvez ele não tenha considerado que você poderia se sentir mal. - É aí que está, Tina. Que t
"Dante"Os pensamentos giravam em minha cabeça. Eu estava no meio de uma grande confusão e não me ajudava muito o meu melhor amigo estar irritando a melhor amiga da minha Encrenca. Eu olhei para o Murilo, que aguardava a minha resposta. - Se você está perguntando se eu já contei sobre a minha saúde de ferro para a minha esposa... ainda não. Mas eu vou contar. Ela está preocupada comigo e não tem porque estar. Eu fico tenso sempre que ela toca no assunto da maldita doença falsa. - Eu suspirei. - Ontem à noite, depois de tudo o que aconteceu com a avó, ela estava chateada e preocupada. Ela me pediu para ficar vivo. Ela não quer que eu morra e eu sei que não vou morrer, pelo menos não como pensei. - E por que você não contou para ela ainda? Não é justo e nem correto o que você está fazendo, mantendo uma mentira. - O Murilo perguntou, reprovando mais uma vez a minha decisão de não contar imediatamente para a Valentina sobre a minha saúde.- Eu não contei porque eu tenho medo que ela vá
"Dante"A Valentina estava no meu colo, me beijando e sorrindo enquanto planejávamos sair para almoçar em um bistrô pequeno perto do escritório que parecia ser o preferido dela. Mas o sorriso desapareceu quando ela atendeu a ligação da Tatiana. Primeiro ela pareceu preocupada e depois furiosa, e quando ela disse que mataria o Murilo eu sabia que o problema era grande. Ela pegou a bolsa e saiu do escritório dizendo que precisava cuidar da Tatiana e que talvez ela não voltasse para casa. Eu fiquei alarmado! Ela não voltaria cedo ou ela não voltaria nunca?Assim que ela saiu, eu enviei uma mensagem para o Fausto e ele me disse que eles estavam indo para o estúdio. Eu pedi que ele ficasse ainda mais atento e me informasse como elas estavam. Ele demorou vários minutos para responder, mas quando o fez, a mensagem era clara, ele ficaria de olho nelas, mas não permitiria que o Murilo ou eu nos aproximássemos, especialmente o Murilo. E finalizou dizendo que a Tatiana estava péssima. - Desse j
"Tatiana"Nós saímos do escritório. Ele não tentou me fazer vestir o paletó dele, só andou até o elevador digitando alguma coisa no celular. Eu tinha certeza que até chegarmos ao restaurante ele me obrigaria a colocar uma burka. Mas ele não falou nada, apenas abriu a porta do carro para mim e dirigiu. Quando parou o carro, estávamos em frente a uma loja super chique. Eu o encarei, mas não perguntei, certamente ele ia encontrar alguém ali. Ele deu a volta e abriu a porta do carro. Esperou pacientemente que eu saísse. - Dr. Dornelles, talvez eu não devesse acompanhá-lo nesse almoço. - Eu tentei escapar da situação, mas ele sorriu.- E por que não? - Ele perguntou e eu o encarei começando a ficar irritada. Não seria eu a apontar o equívoco do meu figurino. Ele sorriu. - Vamos, Tatiana! - Foi tudo o que ele disse. O Murilo me arrastou para dentro de uma boutique caríssima e eu me senti um tanto constrangida lá dentro, com todas aquelas vendedoras elegantes e primorosamente maquiadas. Er







