LOGIN"Tatiana"Ele não me deu tempo para responder ou recuar. Ele deu o passo que faltava, fechando a distância entre nós. As suas mãos grandes agarraram a minha cintura de forma possessiva, colando o meu quadril de frente contra o dele e me prensando contra a parede rústica de tijolinhos. Sua boca pairou sobre a minha, tão perto que seu hálito quente acariciou o meu rosto. Antes que eu pudesse articular um único pensamento coerente para argumentar que aquilo era uma ideia muito ruim, o Murilo capturou a minha boca e aconteceu, o primeiro beijo real, ardente, faminto e avassalador entre nós, com uma vontade que parecia aprisionada em nós há muito tempo.As nossas línguas se encontraram em um redemoinho escaldante de puro desejo reprimido, os nossos lábios roçando em chamas, enquanto as minhas mãos subiam por conta própria pelo peito nu dele, arranhando os seus ombros largos e molhados. O som ruidoso dos trovões de repente emudeceu e tudo o que eu ouvia eram as nossas respirações misturada
"Tatiana"O som da tempestade desabando contra o telhado funcionava como um verdadeiro isolamento contra o resto do universo, mas não conseguia silenciar os meus pensamentos. O Murilo me encarava como se esperasse a minha decisão, como se me desafiasse a ter coragem. Eu o encarei de volta, sentindo as minhas bochechas queimarem com uma timidez que não era parte da minha personalidade, mas ele me deixava quase como a adolescente tímida que eu fui anos antes, antes de aprender que eu não precisava de aprovação ou autorização de ninguém para ser quem eu era. O Murilo Dornelles estava parado bem na minha frente, a apenas dois passos de distância, e o calor escaldante que irradiava do seu corpo molhado derretia o meu bom senso. Ele sorria de lado com aquele seu sorrisinho safado, insolente e totalmente convencido, com o queixo erguido de quem achava que sempre tinha razão.A provocação dele sobre o fetiche masculino de mulheres molhadas e tecidos transparentes queimava dentro de mim, brin
"Tatiana"O aroma do tempero caseiro e do alho dourado ainda pairava na cozinha onde nós havíamos acabado de compartilhar um almoço descontraído entre amigos. Estar ali na cozinha, rindo e falando bobagens, quase me fazia esquecer que os dois homens ali eram a elite da elite. Quem os via todos os dias com os ternos sob medida, os sapatos caros e o olhar de desinteresse pelo mundo ao seu redor apostaria que eram dois ricaços arrogantes. Mas eles não eram assim. Eram apenas dois homens lindos que não pediam licença para ocupar o espaço que era deles por direito. Naquele início de tarde de sábado, os risos corriam soltos ecoando pela casa, mas o que ecoava na minha cabeça era algo como o apito de uma panela de pressão prestes a explodir, com a ideia louca e idiota da Valentina colada no meu cérebro como aqueles refrões chicletes de música ruim. E não ajudava nada o fato de o Dante e a Valentina estarem sentados à minha frente trocando carícias e sorrisos cúmplices. Também não ajudava qu
"Valentina"O cheiro de capim cortado e terra molhada atingiu o meu nariz antes que eu visse as cercas de madeira branca do haras. A manhã de sábado era uma calma bem vinda depois do tumultuado jantar de sexta à noite. Aquele jantar foi uma verdadeira catarse dramática. A Constança e a Márcia haviam levado a Aurélia a beira do desespero, acabando com a soberba da perua. Sobrou até para o Otto e para o Breno, e até o marido da Márcia lançou as suas diretas. O quebra-pau chegou ao ápice quando a Constança comentou sobre o ex-marido da Aurélia e pai do Breno, lembrando que era um inútil preguiçoso. A Aurélia atirou o copo na Constança, que se desviou a tempo, deixando o copo se espatifar no chão. Depois disso, o Murilo precisou da ajuda do Dante para segurar a Constança, que ameaçou deixar a Aurélia careca como uma bola de sinuca.Não dava para não rir, a cena era caótica, com a Constança sendo segurada e chamando a Aurélia de destruidora de lares, a Márcia prometendo apoiando a amiga e
"Valentina"O tilintar das taças de champanhe que a D. Marta servia com toda a elegância me pareciam como pequenos risos diante da situação instalada ali. A Aurélia se sentou entre o Otto e o Breno, os três pareciam estar em um velório. Já a Constança e a Márcia engataram uma conversa cheia de risos e histórias sobre a mãe do Dante e o quanto ela era linda, elegante e talentosa. Quanto mais elas falavam da mãe do Dante, mais eu via o semblante da Aurélia pesar.Eu não estava bebendo por causa da fertilização, eu podia estar grávida e já tinha combinado com a D. Marta de me servir um refrigerante, mas o Dante se aproximou de mim com duas taças na mão e me entregou uma, passando o braço pela minha cintura. - Aqui, amor, já que vamos brindar aos nossos amigos, só uma taça não vai fazer mal. - Ele sussurrou no meu ouvido, deixando um beijo no meu rosto.- É, tem muita coisa que eu poderia fazer e não me faria mal, como tirar as suas calças. - Eu sussurrei de volta e sorri, ergui a taça d
"Valentina"Eu olhei para a Tati parada na porta. Ela usava um vestido verde oliva de cetim, super curto, frente única e com um decote drapeado que ia até o umbigo, mostrando o piercing que estava assombrando o Murilo. Ela se equilibrava sobre saltos agulha altíssimos dourados e seus cachos estavam presos em um rabo, deixando as costas à mostra e apenas duas mechas finas caíam sobre o rosto cuidadosamente maquiado. Eu olhei rapidamente para o Murilo, ele havia perdido completamente o ar ao ver a minha amiga e não conseguia tirar os olhos dela. Era isso, a Tati tinha nocauteado o Pudinzinho. Mas o clima na sala não arrefeceu com a chegada da Tatiana.- Eu não aceito, Dante! - A Aurélia começou a gritar. - Eu não vou tolerar essas mulheres na minha casa! Esta é a minha casa, minha! Minha Casa!- Minha nossa! Para de gritar, perua! - Eu coloquei os dedos nos ouvidos. - Isso é muito vulgar. - Essa casa nunca foi sua, destruidora de lares! - A Márcia disparou certeira.- Qual o problema,







