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last update publish date: 2026-10-12 03:51:47

O álcool acabou fazendo efeito em Amelia e Maximilian. Talvez por isso ambos sentissem tanto calor — um calor que se intensificou assim que entraram no quarto. O homem certificou-se de trancar a porta com a chave por dentro, seus passos firmes ecoando pelo cômodo. Amelia permaneceu imóvel no centro, olhando ao redor, plenamente consciente do que inevitavelmente aconteceria naquela noite. Não queria parecer uma gatinha assustada diante de um felino prestes a devorá-la. Não. Não daria esse gosto a ele.

Por isso, fingiu uma tranquilidade que não sentia de forma alguma.

Maximilian aproximou-se dela a passos calculados, como um predador rondando a presa. Parou bem atrás dela e, sem aviso prévio, roçou os lábios na pele do pescoço da jovem. Amelia sentiu a respiração falhar no mesmo instante. Então ele iria direto ao ponto?

— Maximilian... — murmurou, tentando disfarçar o nervosismo, embora a voz tenha saído trôpega.

— É a nossa noite de núpcias — retrucou ele, com a voz baixa e quase fria, sorrindo de forma tonta. Como se não bastasse, serviu-se de uma dose de bebida e a virou de uma vez só, até o fundo. — Você não me agrada em nada, mas é minha esposa.

Amelia virou-se nos braços dele, encarando-o com um sorriso falso, forçado, como se não se importasse com o que acabara de ouvir.

— Você também não me agrada, na verdade, eu te odeio — retrucou com tom sarcástico, dando de ombros e quase perdendo o equilíbrio devido à embriaguez. — Mas é meu marido, e temos que consumar essa união, não é? Por que perder tempo?

Por um segundo, Maximilian pareceu surpreso. Esperava rejeição, resistência... não aquela audácia e aparente calma. Talvez o álcool estivesse afetando-o também, o que explicava seu comportamento. De qualquer forma, não era como se ele próprio não estivesse dominado pela bebedeira.

— Está tão desesperada assim? — ele soltou uma risada debochada. — Eu devia imaginar. Você é igualzinha a ela. Insolente, atrevida... louca para se deitar com um homem como eu.

Amelia bufou diante daquelas palavras, cruzando os braços.

— E você, Senhor Schneider, está louco para que eu seja sua. Não é? — disparou, perdendo-se um pouco na própria frase embolada.

— "Senhor Schneider" agora? — ele ironizou, erguendo uma sobrancelha.

— Eu só tenho vinte e dois anos. Você tem trinta. É um senhor — arrastou as palavras, com uma expressão petulante, enfatizando o termo "senhor". — Mesmo que agora eu passe a ser chamada de senhora Schneider, continuo sendo muito mais jovem do que você.

— É evidente. É por isso que você é tão imatura e mal-educada — murmurou ele.

Ela revirou os olhos, mas, antes que pudesse rebater, Maximilian a puxou com firmeza pela cintura e a beijou com uma intensidade que a deixou sem fôlego. O contato era selvagem, misturando o desdén e o desejo que consumiam a ambos. Apesar da repulsa que diziam sentir, não conseguiam conter o fogo que ardia entre eles.

Amelia sentiu o coração bater descompassado, a respiração curta, enquanto a paixão os arrastava. Maximilian, acostumado a tratar as mulheres como meras aventuras passageiras, não entendia por que, justamente com ela, a desprezível Amelia, sentia a necessidade de ser um pouco mais cuidadoso.

As roupas sumiram, e o descontrole tomou conta dos dois. Em questão de minutos, tudo acabou, e ele desabou ao lado dela, o peito subindo e descendo rapidamente.

Por um instante, o silêncio preencheu o quarto. Exausto, Maximilian virou-se para ela e perguntou com tom de zombaria:

— Por que não diz nada? O gato comeu a sua língua?

Amelia, de costas para ele, tentava pegar no sono. Agora que o efeito do álcool havia passado, sentia vergonha. Não queria responder, mas acabou o fazendo mesmo assim, com friosidade.

— O que você espera que eu diga? Que foi bom? Imagino que já saiba o que faz. Satisfeito?

Ele bufou, irritado.

— Fui insensível com você?

— Por que se importa? Não quero conversar — foi tudo o que disse antes de fechar os olhos com força, desejando que aquela noite chegasse logo ao fim.

Maximilian não voltou a dirigir-lhe a palavra e, aos poucos, caiu num sono profundo. Amelia, no entanto, permaneceu desperta, observando-o na penumbra. Ele era incrivelmente atraente, mesmo sob a luz fraca do quarto.

Sem pensar, esticou a mão para traçar os contornos do rosto dele, convencida de que não seria pega. Mas, de repente, ele abriu os olhos, com as safiras brilhando intensamente na escuridão.

— O que você está fazendo? — questionou com voz profunda, segurando o pulso dela entre os dedos.

— Nada — retrucou de imediato, sentindo o estômago se contrair ao ser flagrada. — Me solta.

Ele a encarou fixamente, como se quisesse decifrá-la por completo. Por fim, soltou o pulso dela com um suspiro.

— Se não é "nada", então vai dormir — ordenou, com voz firme.

Amelia fechou as pálpebras, frustrada consigo mesma. Como podia estar pensando nem que fosse um segundo naquele homem daquela maneira? Sacudiu a cabeça; a culpa era do seu coração estúpido que insistia em não se acalmar.

Na manhã seguinte, Amelia acordou desnorteada. As lembranças da noite anterior inundaram sua mente, e suas bochechas ganharam um tom carmesim. Como ela tinha parado naquilo?

Quase soltou um grito quando a porta do quarto se abriu com violência. Maximilian apareceu, impecável como sempre, vestindo um terno sob medida perfeitamente alinhado.

— Por que me olha assim? — inquiriu com friasidade. — Levante-se e arrume-se. Vou levá-la para casa antes de ir para a empresa.

— Tá bom... — respondeu de forma automática, cuidando para que o lençol não escorregasse e a deixasse exposta.

A vergonha a consumia; agora se sentia péssima, sóbria e com todos os sentidos alerta.

— Você age como se eu não tivesse visto tudo de ontem à noite — comentou ele com um sorriso irônico. — Vá tomar um banho. Suas roupas chegam logo.

Assim que ele saiu do quarto, Amelia soltou o ar que prendia nos pulmões. Correu para o chuveiro, ainda com a cabeça a mil por hora. Ao retornar ao quarto, encontrou um vestido rosa-claro sobre a cama, acompanhado de roupas íntimas e acessórios perfeitamente combinando.

Vestiu-se e se olhou no espelho. Estava bonita, embora não tivesse certeza se queria impressionar alguém. Ao sair, Maximilian a observou por um instante. Houve algo no olhar dele, um brilho que Amelia não conseguiu decifrar. Mas, como sempre, ele o escondeu rapidamente sob a máscara de dureza.

— Por que diabo você demorou tanto? — resmungou. — Estamos tão atrasados que você vai ter que tomar café em casa mesmo.

— Tá.

— Por que você é tão seca? — cuspiu, irritado.

— Porque não quero falar com você — ousou dizer com indifferença, dando de ombros.

No elevador, a tensão entre eles aumentou.

— Acha que pode falar comigo desse tom? — investiu ele. — Acho que preciso te lembrar qual é o seu lugar aqui.

— Meu lugar? — retrucou ela com um olhar desafiador. — Sou sua esposa. Você também deveria me respeitar.

— A sua família não tem onde cair morta! — esbravejou ele, com o tom carregado de desprezo. — Se agora vocês ainda têm uma casa, um teto para comer e dormir, foi porque o meu pai estendeu a mão. Então baixe a crista comigo, Amelia Williams.

Ela cerrou os punhos com força ao lado do corpo, lutando para não perder o controle. As palavras da mãe voltaram à sua mente, um lembrete repetitivo também reforçado pelo pai:

“Você não pode contar a Maximilian sobre o incêndio. Ele pode se sentir culpado, e nós não queremos isso. Me jure que nunca vai contar.”

E ela havia jurado.

— Imagino que você me trate assim porque agora não pertencemos ao mesmo mundo — soltou ela, enfim, com um sorriso amargo. — Você continua sendo milionário, e eu sou uma garota arruinada que por azar... ou sorte, dependendo de como se veja, acabou se casando com você.

— Essa não é a única razão, Amelia — disparou ele com desdém. — A sua mera presença me desagrada.

Aquelas palavras, embora não fossem novidade, atingiram Amelia em cheio. Ela havia prometido a si mesma não se deixar pisotear, mas naquele exato momento sentiu-se esmagada.

Apertou os lábios para impedir que as lágrimas traiçoeiras escapassem, virando o rosto para não lhe dar o gosto de vê-la derrotada. Sabía, porém, que sairia dali em pedaços.

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