Às vezes, Débora preparava uma refeição e, animada, perguntava a ele quando iria voltar para casa.Ele, conciso como sempre, respondia apenas:[Estou ocupado.]Agora, finalmente, Augusto entendia o que Débora sentia naquela época. Ele compreendia o vazio, o esforço para agradá-lo, e a dor de nunca ter uma resposta calorosa.O peito de Augusto parecia sufocar, como se o ar tivesse desaparecido. Uma sensação esmagadora o fazia perder o fôlego. Ele imediatamente fechou a janela da conversa no celular, sem coragem de continuar lendo.Se insistisse em continuar, só veria sua própria frieza, sua indiferença, empurrando Débora para longe, como se a estivesse ferindo aos poucos, golpe após golpe.Até que, um dia, o mundo de Débora deixou de girar em torno dele.Foi nesse momento que, em meio à multidão, ele finalmente viu a mulher que não saía de seus pensamentos.Mesmo vestindo um simples cardigã bege e uma calça jeans, ela conseguia brilhar. Ele a identificou imediatamente.Mas, no segundo s
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