— Mãe!Eu finalmente desabei, chorando alto, sem nenhum controle.A mão dela estava fria como um bloco de gelo. Eu apertei com toda a força que eu tinha, mas, por mais que eu espreitasse, o calor não voltava mais.Augusto continuou parado onde ele estava, olhando praquela linha reta no monitor, olhando pra mim, completamente em frangalhos. Todo o sangue sumiu do rosto dele.Ele pareceu esvaziar por dentro. As pernas dele falharam, ele cambaleou alguns passos pra trás. Ele não tentou chegar mais perto, não disse mais nenhuma palavra. Ele só me lançou um último olhar, fundo, pesado.Depois, ele se virou devagar e saiu do quarto, passo após passo, como se cada um deles pesasse uma tonelada.Ali dentro, só ficou o som do meu choro e o apito contínuo, monótono, do equipamento.Todos aqueles anos de insistência, de tentativa de redenção, terminaram ali, da forma mais brutal possível.Os médicos e enfermeiros entraram em silêncio, movendo-se com cuidado. Um deles falou num tom quase sussurrad
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