Na cabeça dele, talvez eu devesse estar desabando, chorando aos gritos, fazendo cena e perguntando o porquê.Mas a minha calma, naquele momento, machucava muito mais do que qualquer escândalo.Eu deixei escapar um sorriso leve:— O que você queria que eu fizesse? Que eu caísse de joelhos chorando, te implorando para não trair mais, para não encostar mais na Mônica? Que eu pedisse, de mãos postas, para você olhar de novo para mim, para olhar para a Laís, é isso?Os lábios do Augusto se moveram, mas ele não conseguiu dizer nada.Ele realmente tinha pensado assim. Mesmo depois de tudo, ele ainda queria que eu fosse a mesma de antes, pronta para entender, engolir o choro e perdoar.Só que, quando eu coloquei tudo em voz alta, até ele percebeu o quão absurdo, egoísta e vergonhoso aquilo era. Ele não teve coragem de admitir.Ele começou a se justificar, todo atropelado:— Me escuta, Débora. Naquela noite eu… Eu tinha bebido demais, eu juro. Eu achei que fosse você. Eu não fiz de propósito, e
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