O rosto dele tinha linhas marcadas, traços bem definidos, e, olhando por mais tempo, era impossível negar que ele era bonito. Num nível irritante.Só que, para Rebeca, aquela cara sempre era a mesma. Uma cara maldita.O silêncio ficou pesado dentro do carro. Bruno ligou uma música, como quem espantava o vazio.Quando a letra chegou no refrão, ele começou a acompanhar, baixinho.Ele cantava em inglês, com pronúncia limpa. A voz saía grave, encorpada, e era boa de ouvir. Boa a ponto de não ficar atrás do cantor original.Bruno cantou por um tempo, esperando alguma reação.Rebeca não deu.— Rebeca. — Ele chamou, enfim.— Oi? — Ela respondeu sem virar o rosto.— Eu canto bem?O carro parou no sinal. Bruno deixou uma mão no volante e levou a outra ao nariz, num gesto casual.Rebeca apertou levemente o canto da boca.Homem que se exibia assim parecia pavão abrindo as penas.Ela não respondeu direto.— Eu gosto de homem como o Sr. Daniel.— O quê? — Bruno franziu a testa e olhou para ela como
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