Mas, no instante em que empurrou a porta, o que entrou pelos olhos foi um silêncio escuro, imóvel.Ela parou por um segundo.As janelas enormes alinhavam a cidade como um mar de luzes distantes. O brilho de fora se derramava em faixas lentas pelo tapete, ao lado do sofá, e deixava o resto do apartamento num penumbra inquieta. Parecia que ninguém respirava ali dentro.— Daniel?Sem saber por quê, um desconforto se instalou no peito. A voz saiu baixa demais, quase um sussurro, como se ela temesse acordar algo.Quando contornou o sofá, encontrou ele encolhido no canto. Uma manta fina cobria o corpo. Os olhos estavam fechados, a quietude dele doía de um jeito estranho, como se pedisse cuidado.— Daniel...O ar voltou aos pulmões. Ayla largou a bolsa e se agachou ao lado do sofá.Chamou por ele mais duas vezes, bem de leve, e tocou a testa e a mão, atenta a qualquer sinal fora do lugar.— Você voltou. — A voz de Daniel saiu grossa, baixa, como de quem acordava de um cochilo.Ele abriu os ol
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