Quando a noite caiu, a chuva enfim parou.O frio ficou suspenso no ar. As folhas se agitavam ao vento, num ruído baixo, quase um lamento, deixando tudo ainda mais vazio, mais solitário.Daniel continuava na pequena varanda do escritório, olhando para o prédio do outro lado, onde poucas luzes ainda resistiam acesas.Enzo se aproximou em silêncio e lembrou, em voz baixa:— Senhor, já está tarde. Vou levá-lo para casa.Ayla não estava em casa.Do outro lado, o apartamento dela permanecia mergulhado na escuridão.E justamente por isso, voltar para casa só faria a solidão pesar ainda mais.Nos últimos dois dias, Daniel ia ao hospital pela manhã para o tratamento e, à tarde, cuidava do trabalho no Grupo Cardoso.O médico já tinha avisado: ele não podia se cansar demais. No tratamento conservador, manter o humor leve era quase tão importante quanto os remédios.Enzo lembrava de tudo.E vivia repetindo isso a ele.Mas, sem Ayla por perto, era como se Daniel tivesse deixado a alma em outro luga
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