Ademir percebeu o que ela ia fazer e a segurou na mesma hora.— Patrícia, se o Heitor não aguentar, ele mesmo vai descer. Você não precisa ir atrás. O seu corpo ainda não se recuperou.Patrícia balançou a cabeça. Ela conhecia o jeito de Heitor melhor do que ninguém. Ela sabia que ele, muitas vezes, fazia e falava as coisas sem pensar nas consequências. E se ele caísse? E se ele tivesse hipotermia? E se ele simplesmente nunca mais voltasse?Ela sentiu medo, um medo seco, agudo, atravessando o peito. Todas as imagens piores possíveis tomaram conta da mente dela, e cada uma doía como se alguém apertasse o coração dela com a mão.Ela escreveu no celular, os dedos tremendo:[Não. Eu vou atrás dele.]Ademir soltou um longo suspiro e acabou cedendo:— Tá bom. Eu levo você até lá.Heitor subia mais um degrau. A escadaria era íngreme demais, a neve era funda demais.O gelo derretia embaixo das pernas dele, o que só piorava tudo, porque a água penetrava no tecido da calça e, em poucos minutos, v
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