A garganta ardia como fogo.Até engolir saliva doía.Por dentro, tudo tinha afundado num silêncio abissal, sem ondas, sem reação, sem vida.E, ainda assim, as lágrimas continuavam a cair, sem controle.Era como se tivessem arrancado tudo de dentro do peito.Não restava nada.Só aquela carcaça vazia, pesada, que entrou num carro por aplicativo e voltou, em transe, para a casa que Henrique havia deixado para ela.A casa era grande, limpa, organizada.Mas não havia ali nada que fosse dele.Carolina fechou todas as cortinas, apagando qualquer noção de dia ou de noite, e se trancou naquele quarto escuro, deitada numa penumbra sufocante.A consciência afundava. A mente permanecia vazia.Dia após dia.Deitada. De bruços. Encolhida. Sentada.Qualquer posição servia, desde que não precisasse se levantar.Estava cansada até para isso.Quando o estômago doía, tomava remédio.Quando a insônia vinha, tomava outro.Quando as mãos tremiam e o coração disparava, recorria aos antidepressivos.Quando a
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