Na manhã seguinte, o ar ainda guardava um resto abafado do calor do verão, apesar da brisa fresca que soprava pelas ruas.De uma barraquinha vinha o cheiro forte do tucupi. Carolina comprou dois cafés da manhã e, por um impulso difícil de explicar, levou também uma cuia de tacacá.Ela já tinha provado aquilo anos antes, quando Henrique insistira com paciência.Passara mal na hora.Não suportava aquele sabor intenso, ácido, com um fundo estranho que tomava a boca inteira.Henrique, por outro lado, gostava muito.Talvez fosse o gosto da terra dele.Quando a saudade apertava, até as menores coisas ligadas a ele bastavam para prender toda a sua atenção.No caminho para o hospital, carregava a cuia de tacacá em uma mão e o café da manhã da mãe na outra.O sol suave da manhã caía sobre sua pele e a aquecia aos poucos.Tomando coragem, ela levou um gole à boca.No mesmo instante, o sabor forte do tucupi se espalhou pela língua, seguido pela sensação estranha do jambu, que quase a fez engasgar
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