Enquanto esperava a cremação, Carolina continuava sentada no banco no canto da sala, quieta, imóvel demais.Quando alguém da família morre, parece que a vida inteira fica úmida por dentro. Uma tristeza muda, funda demais para caber em palavras.Pedro e Mônica tinham aparecido no dia anterior. Como não conseguiram arrancar nada da indenização deixada por Tainá, passaram a noite inteira pressionando Carolina, tentando convencê-la de todo jeito, ora com palavras mansas, ora com ameaças mal disfarçadas. No fim, não adiantou. Os dois voltaram para Porto Velho furiosos.E ela ficou.Sozinha para esperar a cremação da mãe. Sozinha para levar as cinzas de volta para casa.Justo quando mais precisava de alguém da família ao lado, o pai estava preso, e o irmão tinha rompido com ela por causa do dinheiro da indenização da mãe.Era cruel. Quase irônico demais.Carolina levantou os olhos para a tela.[Luana, 53 anos, em processo de cremação...]Aquelas palavras frias, impessoais, pareciam ferro em
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