O quarto estava mergulhado na escuridão.Carolina ouviu, ao longe, alguém bater à porta. Afastou o cobertor e, com as mãos trêmulas, procurou o celular. Os olhos ainda úmidos mal focaram a tela.Já passava das dez da noite.As batidas cessaram. Em seguida, a voz baixa de Henrique soou do outro lado da porta:— Carol, abre.O corpo dela tremia sem controle. O estômago se contraía em espasmos dolorosos, como se algo a estivesse rasgando por dentro. Estava gelada, entorpecida, e as lágrimas não paravam de cair. Não queria que Henrique a visse daquele jeito, tão frágil, tão devastada.Com a ponta dos dedos tremendo, digitou apenas três palavras no WhatsApp:[Vou dormir agora.]Assim que a mensagem foi enviada, o lado de fora mergulhou em silêncio.Carolina largou o celular, segurou a cabeça latejante e se encolheu contra a cabeceira. Cerrou os dentes, tentando aguentar na marra aquela tortura que a consumia por dentro.Quanto mais tentava conter, mais o ar lhe faltava.Ela se odiava.Odiav
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