Fábio arrastava os pés com um peso insuportável rumo ao escritório, onde a luz azul do monitor cortava a penumbra do quarto como uma lâmina fria e acusadora. Ao clicar no anexo daquele e-mail misterioso, o arquivo de vídeo se abriu, e o que ele viu o fez paralisar, com o ar preso na garganta.Na tela, a imagem era nítida e cruel: Cecília, com seu jeito manhoso e calculado, balançava os pés de forma infantil.— Fábio, você também tem que pintar pra mim, vai... — Pedia ela, a voz carregada de dengo.Fábio assistiu ao seu "eu" da tela sorrir como um tolo apaixonado, pegando o frasco de esmalte e aplicando-o desajeitadamente nos dedos dela. Mas o que veio a seguir foi o golpe de misericórdia, o momento que fez seu estômago revirar. No vídeo, ele abaixava a cabeça e beijava o peito do pé de Cecília, num gesto de devoção profana.Com um baque surdo, Fábio fechou o notebook, o peito subindo e descendo em arfadas violentas. O pânico o consumiu ao imaginar Flora assistindo àquela cena grotesca.
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