— Gustavo, não me deixa aqui! Volta! — Implorava Ariana, com a voz embargada pelo choro. — Por que você não consegue nem olhar para trás? Será que me odeia tanto assim? Gustavo!Quando a traseira do carro desapareceu por completo na curva, ela desabou de joelhos no asfalto frio, entregando-se às lágrimas. Os pedestres que passavam pela calçada lançavam olhares cheios de estranheza, mas ela estava cega para o mundo ao redor, chorando com um desespero profundo e barulhento.Naquele momento, não restava qualquer traço da presidente intocável do Grupo Freitas. Ela era apenas uma mulher que havia acabado de perder o marido que tanto amava."Não, Gustavo, meu amor... Eu me recuso a jogar a toalha. Ainda deve existir uma forma de consertar tudo!", pensava ela, tentando buscar conforto.Chorou até não ter mais lágrimas para derramar. Só então encontrou forças para se levantar do chão. Os olhos, antes tão firmes e vaidosos, agora estavam vermelhos e inchados, transbordando uma teimosia latente.
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