O corredor da delegacia tinha cheiro de papel antigo e café frio. A luz branca do teto parecia dura demais para aquela hora da noite, como se iluminasse não apenas o espaço, mas tudo o que as pessoas ali tentavam esconder. Vitória entrou primeiro, o passo acelerado, mas parou um segundo com o que viu ao virar o corredor. Joana estava sentada encostada na parede, o corpo curvado para frente como se estivesse tentando se encolher dentro de si mesma. A blusa clara estava manchada de vermelho escuro. Havia sangue nos braços, no cabelo, nas mãos. Vitória não pensou. Apenas foi. — Joana… A voz saiu mais firme do que ela se sentia. Ela se ajoelhou diante dela, segurando seu rosto com cuidado, analisando rapidamente os traços, procurando cortes, inchaços, qualquer sinal de algo grave. — Você está machucada? Esse sangue é seu? Joana levantou os olhos devagar. Eles estavam vidrados, como se ainda não tivesse voltado completamente para o presente. — Eu… eu não sei… acho que não é meu… eu
Last Updated : 2026-02-24 Read more