Rafael já estava com a mão na maçaneta quando a voz dela o fez parar. — Rafael. Não foi alto, nem urgente, mas carregava algo que o fez permanecer imóvel por um segundo a mais. Ele não se virou de imediato, como se tivesse aprendido que, com ela, até o silêncio tinha peso, até a espera dizia alguma coisa. Só então olhou por cima do ombro, atento. Vitória continuava na banheira, a água morna já esquecida ao redor do corpo, o vapor envolvendo o ambiente numa névoa suave que não era responsável pela densidade que se formava ali. O que tornava o ar pesado era a hesitação dela, a coragem sendo construída aos poucos por dentro, a decisão ainda tomando forma. Eles tinham combinado não apressar nada, deixar que as coisas simplesmente acontecessem, permitir que o tempo conduzisse o que ainda estava frágil demais para ser nomeado. Ela concordara porque parecia sensato, porque parecia seguro. Mas, naquele instante, segurança começava a se confundir com fuga. — Eu não falei tudo. Ele fechou
Last Updated : 2026-03-04 Read more