Beatriz foi até a porta, mas não abriu. Primeiro, espiou pelo olho mágico.Reconheceu de imediato a silhueta alta sob a luz do corredor.Gabriel.Ela franziu a testa.“O que ele veio fazer aqui?”A visita inesperada irritou Beatriz. Instintivamente, quis evitar qualquer contato com ele. Recuou meio passo e ficou quieta, fingindo que não havia ninguém em casa.Gabriel, porém, parecia ter certeza de que ela estava ali. Após um breve silêncio, tornou a bater.Beatriz apertou os lábios.Para não incomodar os vizinhos, respirou fundo e abriu a porta devagar.— Aconteceu alguma coisa? Já é tarde.O tom era frio, distante.Gabriel olhou primeiro para o braço machucado. A manga folgada do roupão deixava à mostra um pedaço da gaze branca.Ele franziu a testa. Sem cumprimentar nem explicar o motivo da visita àquela hora, tirou uma caixinha do paletó e entregou para ela.— Essa pomada é muito boa para cicatrizes. Não vai deixar marca.Surpresa por um instante, Beatriz examinou a embalagem.
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