As folhas da espirradeira carregavam um veneno letal, mas, como Sabrina adorava aquela planta, meu irmão havia dado um jeito de mantê-la florida o ano inteiro no pátio da nossa casa. Quando tentei proibir o cultivo daquela flor perigosa por medo de que alguém se envenenasse por acidente, Sabrina fez um escândalo, chorando sem parar e recusando qualquer comida.— Luana, você só não quer que o Carlos plante essas flores para mim porque não gosta de mim. — Acusou ela na época, com os olhos cheios de lágrimas.Naquela ocasião, Carlos a protegeu atrás de si e me lançou um sorriso cheio de deboche, dizendo que, se eu queria perseguir a garota, deveria inventar uma desculpa melhor.— Uma coisa dessas, tão amarga, nunca seria engolida por engano, pois qualquer pessoa cuspiria no mesmo segundo em que colocasse na boca. — Justificou ele para defender os caprichos dela.Quem diria que aquela mesma planta amarga se tornaria o meu bilhete de saída deste mundo. O gosto intragável tomou conta do meu
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