O Ano-Novo em Belnorte era extremamente animado. Do lado de fora da janela, risadas ecoavam, acompanhadas pelo barulho contínuo de fogos e rojões.No quarto de Cecília, as cortinas permaneciam fechadas. A iluminação fraca deixava o ambiente mergulhado numa quietude angustiante.Um telefonema a manteve acordada. De tempos em tempos, uma dor aguda apertava seu peito.Ela se encolheu debaixo do cobertor, escondendo completamente o corpo. Acabou adormecendo de novo, passando quase metade do dia entre o sono e a vigília, atordoada.No fim, a fome foi forte demais, obrigando-a a despertar completamente.Assim que se levantou, Manuela ligou para ela por chamada de vídeo.— Você não está no orfanato? — Manuela se surpreendeu ao vê-la em casa. — A Dona Edna falou alguma besteira de novo?— Não, surgiu um imprevisto ontem e eu voltei. — Embora dissesse isso, Cecília já não pretendia retornar ao orfanato.— Da próxima vez, não volte sozinha. Você só vai lá para ser explorada e sofrer bullying.Ma
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