เข้าสู่ระบบEle cruzou as pernas, apoiou os braços no encosto e me encarou com uma expressão que oscilava entre o tédio profundo e a mais pura arrogância corporativa.
— Me diga por que eu deveria contratar você — ele fez uma pausa dramática, perfeita para o terror psicológico, e os olhos dele DESCERAM intencionalmente para a minha gola desfiada. SIM, ELE VIU. O filho da mãe reparou no único fiapo fora do lugar —, e não as centenas de mulheres que se candidataram, muitas delas com diplomas no exterior, anos de bagagem e infinitamente mais qualificadas que você? Um soco no estômago teria doído menos. Sabe quando alguém te dá um tapa na cara e você, por puro orgulho, tenta dar um sorriso e falar "nem doeu"? Doeu, sim. Doeu pra caralho. Aquele olhar dele desmontou o resto de dignidade que eu tinha juntado para atravessar aquele portão. — Senhor, eu sou muito proativa e... — tentei engrenar o discurso que li em três sites de RH no ônibus. — Sabe por que estou fazendo essa entrevista pessoalmente? — ele me cortou, atropelando a minha frase como se eu nem estivesse emitindo som. — Não, senhor — respondi. Minha voz saiu meio falhada, um misto miserável de raiva reprimida e uma vergonha quente que subia pelo meu pescoço. — Porque meus filhos são tudo para mim. — Ele inclinou o corpo um pouco para a frente. Só um pouco. Mas a presença dele era tão esmagadora que parecia que o ar da sala tinha ficado três vezes mais pesado. — E você não me parece a pessoa ideal. Você não me parece a pessoa ideal. Frase curta. Direta. Um tiro no meio do peito. QUEM ele pensa que é? Quem esse bilionário engomado acha que eu sou? Uma onda de raiva puríssima começou a queimar no meu sangue. Eu queria gritar na cara dele. Queria mandar ele pegar o tapete persa, a lareira chique e enfiar tudo em um lugar bem escondido. Queria falar que eu não sou só a minha roupa amassada. Que eu não sou só essa cara de quem não dorme direito porque fica fazendo contas de madrugada. Que eu cursei Psicologia até onde o dinheiro deu, que eu me matei de trabalhar desde os dezesseis anos e que eu sobrevivi a coisas que a vida de luxo dele jamais deixaria ele sequer arranhar. Mas eu precisava daquele emprego. A conta do aluguel não esperava o meu orgulho sarar. A dona do imóvel não queria saber de amor-próprio; ela queria o dinheiro no dia primeiro. Respirei fundo. Contei até três mentalmente. Me segurei com todas as forças para não voar no pescoço dele. — Senhor, se me der essa chance, eu prometo que vou me esforçar ao máximo — minha voz TREMEU na última palavra. Droga, mil vezes droga. Ela tremeu. — Eu... eu preciso mesmo desse emprego. Eu precisei admitir. Mostrei a carta. Mostrei o desespero escancarado na minha cara. Ele viu. Os olhos dele, frios como dois pedaços de gelo no meio do inverno, brilharam com alguma coisa indecifrável. Não sei o que era. Talvez pena? Talvez aquele tédio de rico de quem vê um inseto se debatendo no vidro? Não sei. Só sei que a decisão dele já estava tomada antes mesmo de eu sentar naquele sofá. Ele já tinha me descartado como lixo reciclável. — Entendi — ele disse, recostando-se na poltrona com a calma exasperante de quem tem a vida perfeitamente sob controle. — Mas não vai ser possível. Você é inexperiente demais e muito jovem para essa responsabilidade. Inexperiente. Muito jovem. Foi a gota d'água. O limite. O estalo final no meu juízo. Eu me levantei. Minhas pernas tremiam tanto que pareciam feitas de gelatina, mas eu me recusei terminantemente a deixar ele ver qualquer sinal de fraqueza a partir dali. Ajeitei a bolsa no meu ombro com um tique firme. Puxei meu cabelo para trás. Olhei bem no meio daquele par de olhos escuros e arrogantes. — O senhor está absolutamente certo — eu disse. E, para a minha própria surpresa, a minha voz saiu límpida. Clara. Fria. A única coisa verdadeiramente limpa e afiada em mim naquele momento. — Os seus filhos devem ser tudo para o senhor. Por isso mesmo, eles mereciam alguém que soubesse olhar para uma pessoa sem julgá-la imediatamente pelo que ela veste. Alguém que entendesse de verdade que a necessidade não é vergonha para ninguém, e que juventude não é defeito. Mas o senhor com certeza não vai encontrar essa pessoa hoje. E muito menos olhada no espelho. Nem esperei ele responder. Nem olhei para ver a cara que ele fez. Virei as costas com toda a postura que meus dezenove anos e meu salto quebrado podiam sustentar. Atravessei a sala imensa com passos firmes. O tapete persa parecia ironizar meus sapatos furados a cada pisada. Passei pela lareira fria, pelos porta-retratos folheados a prata com os sorrisos das crianças que eu não iria cuidar, e segui direto para a saída. Eu não era a pessoa ideal. Nunca fui. E, francamente? Perto de um cara como Arthur Volpi, eu tinha até orgulho disso.Soltei um rosnado baixo contra a boca dela, aprofundando o contato. Minha língua pediu passagem e ela cedeu instantaneamente, entregando-se ao ritmo quente e faminto que sempre explodia quando nos tocávamos.Esqueci o café. Esqueci a conversa sobre cautela. Esqueci o medo.Segurei firme na cintura dela, levantando-a da posição onde estava e trazendo-a para o meu colo na banqueta. Elena soltou um arfado surpreso contra a minha boca, abrindo as pernas para se acomodar ao redor do meu quadril. Suas mãos desceram pelos meus ombros, cravando as unhas nas minhas costas por cima da camiseta preta. O calor era avassalador, a urgência subindo pela minha espinha como uma descarga elétrica pura.Desci meus beijos para o maxilar dela, traçando uma trilha ardente até o seu pescoço. Elena jogou a cabeça para trás, soltando um gemido baixinho que quase destruiu a última réstia do meu juízo.— Arthur... — ela murmurou, a voz trêmula, entrecortada.— Hum? — resmunguei contra a pele macia da garganta
Soltei um riso seco, balançando a cabeça e encarando o líquido escuro na minha xícara.— Quem me dera fosse a contabilidade. Balanços financeiros são simples. Números não mentem, não têm sentimentos e não surtam se você tomar a decisão errada.— E o que está tirando o sono do poderoso Arthur Volpi esta noite, então?Levantei os olhos para encarar os dela. A brincadeira na minha cara desapareceu por completo. A iluminação indireta da cozinha destacava os traços delicados do rosto dela, os lábios desenhados que eu tinha passado a tarde inteira querendo prensar contra os meus.— O medo de estragar tudo — soltei a verdade, nua e crua, sem o filtro da minha habitual arrogância.Elena piscou, surpresa com a minha franqueza. Ela ajeitou a postura, cruzando os braços sobre o peito.— Estragar o quê?— Isso — gesticulei vagamente com a mão entre nós dois. — Nós. A casa. A rotina das crianças. Eu não sou um homem fácil, Elena. Sou ranzinza, sou viciado em trabalho, tenho um histórico emocional
ArthurEu costumava controlar tudo. Absolute-fucking-mente tudo.Mercados financeiros, flutuações de ações na bolsa de Frankfurt, aquisições bilionárias de empresas concorrentes e até mesmo a exata marca de café espresso que deveria estar sobre a minha mesa às sete e quinze da manhã. No mundo dos negócios, incerteza é sinônimo de prejuízo. Se você não domina as variáveis, o mercado engole você vivo.O problema é que nenhuma das minhas planilhas de gestão de risco me preparou para a variável chamada Elena.Eram três horas da manhã. O silêncio na mansão Volpi era absoluto, quebrado apenas pelo zumbido quase imperceptível da geladeira de aço inoxidável na cozinha. Eu estava sentado em uma das banquetas altas da ilha de granito, vestindo apenas uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta desbotada. Sem o terno sob medida de três peças da Savile Row, sem o relógio de meio milhão de reais no pulso, sem a armadura de CEO implacável.Apenas eu. Um homem de trinta e quatro anos encarando u
— Eu não estou beijando ninguém, Léo! — protestei, sentindo minhas bochechas queimarem.— TAVAM SIM! EU VI COM OS MEUS PRÓPRIOS OLHOS DE DINOSSAURO!— Não estavam não, Léo — Arthur interveio com uma calma invejável, passando a mão pelos cabelos do filho.— TAVAM! A LARA VIU TAMBÉM! FALA PRA ELES, LARA!Lara deu um gole no seu suco de caixinha e nem se deu ao trabalho de olhar para o irmão.— Eu não vi nada. Você tá enxergando coisas porque comeu açúcar demais.— VIU SIM, SUA MENTIROSA!— Chega de escândalo, garoto — Arthur pegou o menor no colo de uma vez só, ajeitando o pequeno no quadril. — Vamos comer um pastel e depois a gente vai direto para o carrossel.— EU QUERO ANDAR NO CAVALO! — Léo mudou de assunto instantaneamente, dando socos no ar.— Nós vamos no cavalo.— NO CAVALO BRANCO!— Pode ser no branco.— O CAVALO QUE TEM ASA DE PEGASUS!— Léo, cavalos não têm asas na vida real — Arthur pontuou, paciente.— O MEU TEM SIM! O MEU É MÁGICO!— É, o seu é extremamente especial — Arth
ElenaDepois da aventura quase trágica e hilária do kart, fomos direto para a fila da roda-gigante.O Léo, claro, amarelou no exato segundo em que olhou para o topo da estrutura de ferro. "É ALTO DEMAIS! EU VOU CAIR E OS DINOSSAUROS VÃO ME COMER!", ele berrou, agarrando-se à perna de Arthur como um coala desesperado. No fim das contas, o pequeno preferiu ficar em solo firme com o pai, devorando uma montanha de algodão-doce azul, enquanto a Lara aceitou subir comigo.A nossa cabine era modesta, de madeira pintada de amarelo-canário, com uma janelinha redonda e uma trava de ferro que eu rezei mentalmente para estar em dia. O sol do fim de tarde entrava suavemente, e o vento soprava bagunçando nossos cabelos.Lara sentou-se ao meu lado no banco estreito, abraçando o caderno de couro contra o peito.— A senhora gosta de verdade do meu pai? — ela disparou do nada, sem qualquer preâmbulo, encarando as próprias meias.Pisquei, surpresa com a solicitação direta da minha mini-sócia de t
O sol da tarde brilhava forte no céu azul sem nuvens. As crianças iam na nossa frente, com Lara segurando firmemente a mãozinha do Léo enquanto ele tentava puxá-la para cinco direções diferentes ao mesmo tempo.— HOJE VAI SER O MELHOR DIA DA MINHA VIDA ENTERA! — Léo gritou para o alto, pulando com os dois pés.— Você fala isso exatamente todo final de semana, Léo — Lara pontuou, sem alterar o tom de voz.— PORQUE TODO FINAL DE SEMANA É O MELHOR DIA DA MINHA VIDA!— Você é muito bobo.— E você é muito chata e resmungona!— Vocês dois são incrivelmente parecidos, sabia? — interrompi a discussão, ficando ao lado deles.— ELA É IGUALZINHA AO PAPAI! — Léo apontou o dedo acusador.— MENTIRA, VOCÊ É QUE É IGUAL A ELE! — Lara rebateu na hora.— NA VERDADE, VOCÊS DOIS SÃO A CÓPIA FOTOGRÁFICA DELE! — declarei, olhando para Arthur, que caminhava ao meu lado.Ele me encarou, mantendo as mãos nos bolsos da calça jeans.— Nós vamos conseguir sobreviver a essa tarde sem perder nenhuma criança ou sur







