Os meses seguintes foram um exercício lento de convivência, sem pressa, sem promessas. Ana ficou , não porque se apaixonou de repente, mas porque, pela primeira vez, sentiu que podia respirar sem o peso de uma coleira invisível.Pedro não cobrou nada. Não tentou beijá-la, não invadiu seu espaço, não perguntou “e agora?”. Apenas continuou sendo quem era: um homem de rotina, de poucas palavras, mas de ações consistentes.A amizade começou nas coisas pequenas, quase sem que percebessem.Uma manhã chuvosa, Ana desceu para a cozinha e encontrou o café já coado, uma xícara fumegante esperando por ela na mesa. Ao lado, um prato com pão de queijo fresco, daqueles que ela mesma o ensinara a fazer semanas antes, quando reclamara que o dele ficava seco.— Fiz errado de propósito pra você reclamar — disse Pedro, sem olhar para ela, concentrado em limpar a faca.Ana sentou-se, pegou um pãozinho quente e deu uma mordida.— Tá bom. Mas da próxima vez coloca mais queijo.Ele deu um meio-sorriso, o pr
Last Updated : 2026-05-18 Read more