NÚCLEO — GAEL E LAVÍNIADurante alguns segundos, nenhum dos dois foi capaz de dizer uma única palavra.O som das gotas de água que ainda escorriam dos cabelos de Lavínia parecia absurdamente alto dentro daquele quarto. Ela permaneceu imóvel junto à porta do banheiro, com uma das mãos ainda apoiada na maçaneta, enquanto seus olhos percorriam lentamente a cama desfeita, o baú aberto, a pulseira da maternidade sobre o lençol, as fotografias espalhadas e, por fim, a carta aberta entre os dedos trêmulos de Gael.Naquele instante, ela compreendeu. Não havia mais mentiras possíveis. Não havia mais histórias cuidadosamente construídas. Nem justificativas capazes de esconder cinco anos de manipulações.Seu segredo, que durante tanto tempo acreditara estar protegido dentro daquele velho baú, agora respirava diante dela.Gael levantou-se muito devagar. O movimento foi lento, quase doloroso. Sua respiração era irregular. Os olhos estavam vermelhos.O papel permanecia amassado entre seus dedos, m
Última actualización : 2026-09-01 Leer más