Duarte parou por um instante, com o cenho franzido, sem ter certeza se havia escutado direito. Mesmo assim, movido por puro instinto, os seus passos já o levavam na direção do banheiro.Os cílios escuros de Liliana tremeram de pavor. Com o coração na garganta, ela assistiu impotente enquanto o marido se aproximava da porta. A mão grande dele agarrou a maçaneta, fez pressão e a porta se abriu com um rangido leve. Sem hesitar, Duarte entrou no cômodo.O banheiro, no entanto, estava vazio. A janela entreaberta deixava entrar uma brisa fria que renovava o ar do ambiente impecável. Ele correu os olhos por cada canto, certificando-se de que não havia ninguém escondido ali. Satisfeito, Duarte deu meia-volta e saiu, deparando-se logo em seguida com o olhar irônico de Liliana, que o observava com um sorriso de canto.Num reflexo automático, ele ergueu as mãos para se explicar em língua de sinais. Porém, antes que pudesse terminar o primeiro gesto, Liliana cortou o silêncio com a voz carregada
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