* Ana O bar se chamava Noir. Do lado de fora, só uma placa discreta e dois seguranças de terno. Do lado de dentro, era outro mundo. Luz baixa, mármore preto, copos que custavam mais do que o meu dia de trabalho na Nexus. No primeiro andar, o salão principal: sofás de couro, uísque raro, homens de gravata frouxa e mulheres com joias que não precisavam de apresentação. No fundo, uma porta levava para a boate. Mais abaixo, no subsolo, ficava a área de strip — ilegal o suficiente para ninguém falar alto, lucrativa o suficiente para nunca fechar. Eu não descia para o subsolo. Minha função era o salão. Garçonete. Bandeja, sorriso, postura. Servir sem demorar. Sumir sem ser notada. Cheguei às onze da noite com a camisa preta passada, o cabelo preso e a maquiagem forte o bastante para esconder o cansaço. A gerente me olhou de cima a baixo e só disse: — Mesa cinco já pediu a segunda rodada. Não faça cliente esperar. E a noite começou. As primeiras horas foram um borrão de bandejas, pedid
Última atualização : 2026-08-19 Ler mais