*AnaHoras mais tarde, minha mãe foi a primeira a entrar no quarto. Helena Mendes de vestido azul-marinho, cabelo ruivo preso com cuidado, brincos simples e o olhar de quem ainda não acreditava estar ali. Ela me ajudou a calçar o sapato, ajeitou a alça do vestido branco e segurou minhas mãos antes de descermos.— Eu fico do seu lado o tempo inteiro — disse. — O tempo inteiro.— Eu preciso disso.— Eu sei.Viviane apareceu só para um checklist final: vestido, cabelo, batom, respiração. O motorista esperava embaixo. Andréas já tinha saído antes, com a equipe, para adiantar os documentos. No caminho, minha mãe não soltou minha mão nem dentro do carro. Os dedos dela, mais finos e frios, estavam entrelaçados nos meus como âncora.O cartório escolhido não era um daqueles salas sem graça de fila e número chamado. Era uma unidade reservada, de corredores silenciosos, madeira clara e uma sala interna com janelas altas. Havia arranjos brancos discretos, cadeiras enfileiradas em semicírculo e um
Última atualização : 2026-08-22 Ler mais