Clara entrou na entrevista convencida de que a pior pergunta seria sobre algum erro do projeto-piloto.Não foi.A pior veio aos dezenove minutos.Marta fechou a pasta diante dela.Lívia estava à esquerda. Do outro lado da mesa, Gustavo Néri, administrador regional que Clara conhecia apenas de reuniões, consultou as anotações e perguntou:— Se o trabalho for bem-feito, uma unidade deixa de precisar de você. O que você faz depois?Clara demorou.Não porque não soubesse.Porque sabia respostas demais.A resposta bonita seria falar em autonomia das equipes.A técnica mencionaria carteira rotativa de unidades, critérios de entrada e saída, revisão periódica.A sincera era menos elegante:No começo, eu não gostei disso.Escolheu essa.— No começo do piloto, eu achava estranho quando uma unidade começava a funcionar sem me chamar.Gustavo ergueu os olhos.Lívia não reagiu.Clara continuou:— Porque parte da sensação de fazer um trabalho importante vinha de ser procurada.Silêncio.— Depois e
Last Updated : 2026-09-22 Read more