No primeiro inverno em que a casa era deles, Helena descobriu flores junto ao muro.Não muitas.Quatro, talvez cinco, escondidas entre folhas que ela passara quase um ano ignorando porque o arbusto parecia empenhado em ser apenas verde.Saiu para o quintal às seis e quarenta da manhã com uma caneca de café, viu as pequenas flores rosadas cobertas por gotas de orvalho e ficou parada.O frio era leve, desses que faziam as pessoas da região vestir casaco pela manhã e carregá-lo no braço antes do meio-dia. Ainda assim, a grama estava úmida, o ar tinha uma nitidez diferente e Helena precisou esfregar o pé descalço sobre o outro para aquecê-lo.Augusto apareceu na porta da cozinha.— Você vai ficar aí sem sapato?Helena não virou.— Vem ver.— O quê?— Flores.Silêncio.— Helena, existe vegetação no quintal há bastante tempo.Ela olhou por cima do ombro.— Vem.Ele veio.Não porque estivesse impressionado com a botânica.Porque ela pediu.Augusto parou ao lado dela e observou o arbusto.— A
Última actualización : 2026-10-06 Leer más