Eu estava do lado da maca quando o médico assinou a alta. Louis já estava sentado, a camisa aberta sobre o curativo ainda grosso, o rosto mais magro, a barba por fazer, mas os olhos verdes alertas demais para alguém que tinha quase morrido. O médico repetiu as recomendações pela terceira vez: repouso, antibiótico, não fazer força, voltar se a febre subisse, evitar qualquer esforço. Louis só assentia, impaciente, o maxilar travado. Eu via no jeito que ele apertava a borda da maca que a cabeça dele já estava no Coiote. Já estava calculando o caminho de volta. Já estava pronto para a guerra de novo. Quando saímos do hospital, o sol da tarde batia forte demais. O Ratão esperava do lado de fora com o carro, os braços cruzados, o olhar inquieto. Louis caminhou até a calçada com passos firmes demais para quem tinha levado um tiro no peito dias atrás. Cada movimento dele me fazia lembrar do sangue escorrendo, do corpo mole na maca, do monitor bipando descontrolado. Eu segurei o braço dele co
Última atualização : 2026-08-22 Ler mais