Silvério foi preso e, pela primeira vez em muito tempo, o Morro do Coiote pareceu soltar o ar que vinha segurando — e foi nesse alívio coletivo que a gente começou a levantar, tijolo por tijolo, o que restava do Colégio Maria Clara. Eu ainda sentia o cheiro de pólvora na roupa quando voltei para casa naquela noite. Louis vinha ao meu lado, andando devagar, o corpo marcado, o braço enfaixado, mas de pé. O Lucas dormia no sofá esperando a gente. Quando abri a porta e ele acordou, a primeira coisa que perguntou foi se o Silvério tinha mesmo sido levado. Eu respondi que sim. Ele ficou quieto por uns segundos e depois só falou: — Então agora a gente pode respirar, né, mãe? — Pode, meu filho. Pelo menos um pouco. Eu sentei do lado dele, a barriga já mais aparente, e passei a mão no cabelo crespo. Louis ficou em pé por um momento, olhando a sala pequena como quem ainda não acreditava que a gente tinha voltado inteiro. Depois se sentou no braço do sofá e soltou o ar devagar. Ninguém fez d
Última actualización : 2026-08-23 Leer más