SeleneA luz da manhã entrou no meu quarto como uma denúncia. Atravessou as cortinas finas, tocou o chão, subiu pelas bordas da cama e encontrou o vestido prateado jogado sobre uma cadeira como se a lua tivesse sido arrancada de um corpo e abandonada ali, ainda viva. Sobre o tecido, as linhas lunares apagadas pareciam cicatrizes. Na mesa, documentos, cartas e registros disputavam espaço com uma taça de água intocada, uma lâmina embainhada e uma fita de cabelo da cor da infância que eu não lembrava ter vivido. Acordei devagar, não descansada, nunca descansada, porque meu corpo ainda carregava a madrugada em camadas: o canto sob a pedra, a mensagem de Elara, o brilho do vínculo, o corredor escuro, as mãos de Darius em minha cintura, a boca dele em minha pele, minha própria mão em sua nuca.Lembrei dele dizendo que nunca deixara de me querer. Lembrei de Morvan aparecendo no fim, sorrindo como quem encontrara prova. Lembrei de Darius colocando-se à minha frente, escondendo-me com o corpo
Última atualização : 2026-09-13 Ler mais