BelindaAurora está sozinha, curvada sobre um canteiro. Ela segura um pequeno regador de metal envelhecido, despejando um fio de água sobre uma florzinha silvestre de pétalas miúdas, em um tom azulado suave.Ao escutar o estalo do cascalho sob as minhas sapatilhas, ela interrompe o movimento devagar e se levanta.— Essa aqui nasceu teimosa — minha mãe comenta num tom brando, pousando o regador na terra úmida e olhando para as pétalas azuis. — No meio de tanto espinho que tinha por aqui, ela conseguiu encontrar luz.Paro ao lado dela, encarando a florzinha solitária.— Às vezes as coisas boas nascem onde ninguém espera, mãe.Aurora vira o rosto na minha direção.— Você está bem, minha filha?Respiro fundo, buscando coragem no fundo do peito. Viro o corpo devagar, ficando de frente para ela.— Mãe... eu vim aqui porque preciso te contar uma coisa.Aurora franze as sobrancelhas, atenta à seriedade da minha voz.— O que foi, Belinda? Aconteceu alguma coisa com o Pablo ou na fundação?— Na
Última actualización : 2026-09-09 Leer más