Ashford, Massachusetts Outubro A casa era pequena demais para dois corpos que precisavam de distância. Melissa abriu os olhos antes do despertador. O teto do quarto ainda carregava a mancha de umidade do inverno passado, um círculo irregular que ela contava todas as manhãs como se fosse uma oração privada. Do outro lado da parede fina, Reyna já estava no banheiro. O chuveiro ligado, a água batendo contra o box de acrílico, o som familiar que, de algum modo, não a fazia encolher. Ela se sentou na beira da cama. Os pés descalços tocaram o chão frio. Por um segundo o contato a puxou para trás — mãos, peso, a impossibilidade de gritar — e o peito apertou com a precisão cruel de sempre. Respiração curta. Contagem. Um, dois, três, quatro. O ar voltou aos poucos, como se precisasse de permissão. No criado-mudo, o celular vibrava com a discrição de quem já conhecia o horário. Ela o pegou sem olhar o nome. Já sabia. VIP_01: Acordada, coelhinha? VIP_01: Ou ainda está se escondendo atrás
Última actualización : 2026-09-04 Leer más