O silêncio no quarto era mais pesado do que o barulho da tempestade lá fora.Eu continuei no chão, de joelhos, com a testa apoiada na borda do colchão. O pano gasto do edredom parecia áspero contra a minha pele, e o cheiro de álcool, gaze e remédio velho entrava pelo meu nariz, queimando o fundo da minha garganta. As palavras da minha mãe ainda flutuavam no ar, secas, sem nenhum tipo de drama ou alteração no tom. Apenas uma constatação fria, calculada, que me rasgava de cima a baixo.— Mãe... — tentei falar, mas a minha voz nem saiu direito. Tive que engolir em seco, sentindo a garganta arranhar como se eu tivesse engolido cacos de vidro. — O que você tá falando? Eu passei cinco anos... cinco anos com o Augusto. Eu aguentei aquele homem todo santo dia pra você poder ter isso aqui. Pra você estar viva.Minha mãe soltou o ar pelo nariz. Um som fraco, cansado, quase imperceptível se não fosse o absoluto silêncio que nos cercava.Ela nem se deu ao trabalho de virar o rosto inteiro pra mim
Última atualização : 2026-10-01 Ler mais