O clique da arma veio do corredor. Ian se pôs entre nós e a porta. Léo segurou meu braço e me puxou para trás, mas eu não tirei os olhos da entrada. — Não se mexam — ordenou a voz do meu pai. Meu corpo reconheceu a voz antes da minha razão. Era a mesma que me dizia para não ter medo quando eu era criança. A mesma que me mandava guardar segredo. A mesma que, segundo todos os registros, não era ouvida havia meses. Meu pai estava desaparecido. — Como isso é possível? — sussurrei. Léo apertou meu braço. — Não é ele. — A voz é igual. — Eu sei. Mas não é ele. Ian olhou para o corredor, tentando enxergar pela fresta entre a porta e o batente. — É uma gravação — disse. — O som está vindo de um alto-falante. — E a arma? — perguntei. Do outro lado, alguém fez um ruído breve, quase um suspiro. A voz do meu pai voltou: — Kiara, você sabe que não pode confiar neles. Léo soltou meu braço e começou a vasculhar as pastas, rápido, como se já soubesse o que procurava. — O que está fazen
Last Updated : 2026-10-18 Read more