Na manhã em que as investigações terminaram, o ateliê estava quieto. Não era o silêncio tenso dos últimos dias, cheio de ruídos que pareciam esconder mensagens. Era um silêncio comum: o som distante de um ônibus passando, o vento mexendo nas folhas do jardim, a chaleira começando a ferver na cozinha. Ainda assim, ninguém conseguia agir como se fosse uma manhã qualquer. O medalhão de Amélia permanecia sobre a mesa, guardado num saco transparente. Ao lado dele, havia uma caixa de madeira, uma pilha de documentos e a fotografia da árvore plantada em 1987. O doutor Ramos chegaria a qualquer momento com o resultado da análise dos registros, das mensagens e dos objetos encontrados. Cecília estava sentada perto da janela, com o caderno da mãe aberto sobre os joelhos. Desde que voltáramos da porta azul, ela passava horas tentando encontrar outras anotações sobre a música. Não falava muito. Às vezes, cantarolava as quatro primeiras notas e parava, como se ainda tivesse medo de chamar alguém
Last Updated : 2026-11-04 Read more